a day in the desert Archive

terça-feira

30

setembro 2014

0

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SUPMAG, "Drones in the Desert – Vol 1" (mixtape)

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A DAY IN THE DESERT II

No próximo final de semana tem a terceira edição do A Day In The Desert, micro-festival sobre o qual escrevi uma resenha ano passado.

Como divulgação, soltaram uma mixtape de drone. Chapa aê.

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segunda-feira

4

novembro 2013

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Transcultura 126: Um dia no deserto // Mark McGuire

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transcultura_adayinthedesert_california_markmcguire

Versão integral e sem edição do texto na da semana passada da “Transcultura” (digitado no celular, essa versão é pré-revisão), coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Um dia e uma noite no deserto
Na contramão do gigantismo dos grandes eventos, A Day in the Desert acontece em lugar sem luz ou água encanada
por Bruno Natal

Em Yucca Valley, pleno deserto californiano, nas redondezas de Joshua Tree, fica a cidade de Pioneertown. Construída nos anos 40 para servir de cenário para filmes passados no velho oeste e, ao mesmo tempo, servir de residência para os atores e técnicos, a cidade acabou sendo de fato habitada, mantendo até hoje o visual cinematrográfico, saloons e chão de terra. Essa pequena vila é o ponto de civilização mais próximo de um outro lugar, encrustado nas pedras, sem energia elétrica ou água encanada, chamado Boulder Gardens, ou Jardim dos Pedregulhos.

Foi nesse local que aconteceu a segunda edição do A Day In The Desert, micro-festival idealizado por Marisa Brickman, reunindo Mike McGuire, Prostitutes, Survive, Spacin’, Ssleeperhold e Troller. Geralmente centrados em estilos não comerciais, esse formato de evento vem se tornando tendência, com edições com público médio de 100 a 900 pessoas, acontecendo em lugares como Londres (In The Woods, UV Festival), Berlim (Emitter) e Rio (Novas Frequências).

– É uma ótima alternativa aos festivais gigantes, corporativos e super produzidos, com todas suas regras. O ADITD de amigos para amigos, num lugar intimista e bonito, com uma curadoria que combina com o local. Estou mudando o foco da minha revista, motivo do festival, focando mais em experiências musicais em espaços naturais, para então documentar para revista e online – conta Marisa, que criou o festival em 2012 (em outro lugar, com um show do Earth) para comemorar o aniversário de 25 anos da revista SUP Magazine, da qual é a editora.

Ir ao ADITD é o tipo de programa que ou você vai com os amigos ou vai sozinho e faz amigos. Ao descobrir a existência do festival por acaso e enquadrado na segunda opção, descobrir-se sendo um gringo em meio a pouco mais de 100 pessoas e alguns cachorros (quase todas conhecidas uma das outras, numa média de idade de trinta e poucos anos) foi apenas a parte social da experiência. A pré-disposição ao bate-papo dos frequentadores, somado ao fato de ser um acampamento coletivo, com refeições e bebedeira comunitárias, facilitou o processo.

A proposta não é simplesmente juntar pessoas para assistir um show num lugar exótico. Em vez de uma aglomeração em frente a um palco, a idéia é sonorizar o ambiente, desde cedo até tarde da noite, enquanto os frequentadores exploram o terreno.

– Queremos levar as pessoas para lugares onde possam apreciar a beleza da natureza e oferecer uma trilha sonora para essa experiência. Se conseguirmos utilizar o festival e os artistas que participam para mostrar um lugar novo e ensinar algo sobre apreciar a natureza, então acho que nosso trabalho está feito – diz Marisa. – No caso do Boulder Gardens, nos comprometemos a realizar uma doação para a preservação da área e algumas construções que ficaram por lá após o festival ter sido encerrado.

Sem anúncio ou alarde as bandas se revezavam no pequeno anfiteatro artificial construído em meio a pedras enormes, com um DJ tocando durante as trocas de palco, enquanto as bandas se despediam sem muitos aplausos. Espalhados pela área, alguns assistiam os shows do alto de pedras enormes, outras, de costas, simplesmente escutavam enquanto observavam a paisagem. O pôr-do-sol incendiário tenha talvez sido o único momento em que todos olhavam para a mesma direção ao mesmo tempo.

Na contramão da maior parte do entretenimento atual, os shows, no sentido da performance, não importam tanto. Somando-se umas as outras e mesclando-se com o entorno, as apresentações combinaram-se em uma coisa só, como se fossem um conjunto de sons e não atuações individuais. O efeito desejado é mesmo esse e por isso a escolha das bandas é feita somente após a definição do lugar.

– O festival é pensado para se adaptar ao local. Somos grandes fãs da música experimental e sons mais alternativos. Embora a escalação tenha sido quase toda instrumental e algumas bandas soarem parecidas, são todas bem diferentes e até mesmo a ordem em que cada uma tocou foi feito de maneira a fluir com a energia geral do evento.

O árido jardim de pedras é fruto do sonho de Garth Bowles, 70 anos recém completos e comparações com o The Dude, personagem de Jeff Bridges em “O Grande Lebowski, são tão constantes quanto inevitáveis. Após passar quatro anos viajando pelos EUA a pé, vivendo apenas com um colchonete, roupão, tigela e colher, vivendo da boa vontade das pessoas que o aceitassem e pregando as Regras de Ouro, Garth teve a visão criar uma comunidade auto sustentável e reflorestar o deserto. Em 1981 Garth comprou os 2,5 km de terra que hoje formam o Boulder Gardens, onde ele pratica permacultura e cria seus próprios jardins.

Bowles não parecia estar muito contente com a quantidade de cocô que viu nos banheiros improvisados. Para ele, ceder sua terra é apenas questão de necessidade.

– Bowles é um homem da terra e qualquer coisa que cause algum tipo de impacto nela não é muito animador para ele. Porém, ele entende que é importante se abrir para as pessoas. Ele acabou de fazer 70 anos, tem muitos impostos relativos ao terreno para pagar e não dá pra gerar muito dinheiro apenas com uma jarra de vidro atrás do sofá e um pedido de doações. Garth sobrevive apenas do seu seguro social e de doações de hóspedes. E você ficaria surpreso ao descobrir que a maior parte dos hóspedes não deixa doação nenhuma depois de aproveitar o terreno – explica Marisa.

São as dores do crescimento, uma inevitável concessão para que o jardim possa continuar existindo. Sensação pela qual o próprio A Day In The Desert deve passar em suas próximas edições, mesmo que ainda seja um problema distante – nessa caberia no mínimo o dobro de pessoas sem que isso prejudicasse sua qualidade.

– Queremos crescer, mas nunca tornar o festival muito cheio, não importa onde seja – finaliza Marisa.

Na manhã seguinte, ao deixar o Boulder Gardens, o público segue por uma apertada trilha de areia até uma pista asfaltada, observando-a transformar-se nas seis largas pistas de uma típica auto-estrada dos EUA, replicando o o processo pelo qual passa o jardim de pedra, o festival e cada um de nós. As duas horas até Los Angeles servem como uma espécie de reentrada na atmosfera, relembrando o quão micro somos nós mesmos.

Tchequirau

No clima do texto sobre o festival A Day In The Desert, ouça Mark McGuire para sonorizar o que você estiver fazendo hoje.

quinta-feira

31

outubro 2013

2

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