quarta-feira

10

agosto 2011

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OEsquema: Três anos e dois dias

Written by , Posted in Urbanidades

Uma conversa sobre o aniversário de três anos d’OEsquema entre os fundadores: eu, Matias, Mini e Arnaldo.

Mini: Matias, como começou a história de fazer OEsquema?

Matias: Começou porque o Gardenal começou a dar pau. Pra quem não pegou a época, o Gardenal foi um site criado pelo Pablo Miyazawa, que hoje é editor da Rolling Stone Brasil, para abrigar sites que estavam espalhados por aí. O Trabalho Sujo ficava no Geocities e foi um dos primeiros a ser chamados. Depois que o projeto começou a tomar forma – antes de outros portais conhecidos aparecerem, como o Interney e o Wunderblogs – chamei o Bruno e o Arnaldo para entrar no time. Mas em 2005 o portal teve um baque no servidor, perdeu tudo que tínhamos até ali e, desde então, passou a funcionar de forma capenga. Em 2008 a situação ficou insustentável – não dava nem pra publicar direito – e resolvemos cair fora. Perguntei pro Bruno, que pilhou, e ele falou em chamar o Arnaldo, que também estava ficando de cabelo branco por causa do Gardenal. Como achamos que três era pouco, resolvi te chamar e, depois de fritar em alguns nomes – o nome original era Sistema – chegamos aOEsquema.
Foi assim mesmo, Bruno e Arnaldo? Minha memória, vocês sabem, é um lixo…

Bruno: Além da URL Sistema estar tomada, estreava um programa da Globo com esse nome bem na época, né?

Matias: E o nome do protagonista da série?

Bruno: Hahaha. É legal OEsquema ter surgido de uma necessidade, precisar de uma casa nova, não algo de caso pensado. Faz muita diferença isso. Quando a gente começou a conversar sobre isso, logo vimos que era uma oportunidade de começar outra história. O projeto de expansão no entanto existe desde início. O objetivo final é hospedar os blogues mais relevantes da rede brasileira. Logo a gente chega lá.

Mini, como foi que você recebeu o convite? Não conhecia nenhum de nós, né? Aliás, nunca nos encontramos os quatro, é surreal. Você mesmo eu só encontrei uma vez, naquele show do Radiohead, em Londres. Você já conhecia os outros blogues?

Mini: O Matias eu conhecia há muitos anos do Trabalho Sujo de papel, ele como jornalista/editor e eu como guitarrista dos Walverdes. A gente também “frequentava” a Poplist, uma lista de emails com um monte de gente interessante no fim dos anos 90. Matias, você estava na indie brasil também? Então ali já rolava um esquema. E eu escrevia um pouco de ficção também e o Matias me convidou pra escrever semanalmente num site chamado 1999 que tinha também o Fábio Bianchini e a Cecília Gianetti como colunistas. Eu escrevi uma série de ficção científica, alguns contos meio indies, não lembro direito. Depois, o Matias me convidou pra colaborar com a Play – que foi talvez a primeira publicação de cultura digital que tivemos no Brasil… Ou seja, eu já estava acostumado a topar as histórias que o Matias inventava, sempre curtia, achava uma boa, sempre dava em caldos interessantes com gente interessante. Quando ele me convidou pra integrar OEsquema, não pensei duas vezes. Eu tinha um blog tosco no blogspot e sempre gostei de bandas e de bandos, de estar numa turma, numa história com mais gente. O Bruno e o Arnaldo eu lia no Gardenal. O Arnaldo eu nunca encontrei. Aliás, é interessante esse arranjo, porque de fato a coisa vai andando sem nunca termos nos encontrado ou feito grandes discussões por email.

Matias: Eu já tinha escrito sobre os Walverdes em 1994 – lembro de um Trabalho Sujo do início de 96, falando que era uma banda pra ficar de olho… E, além da Poplist, que frequento até hoje, trombei com o Mini várias vezes nos caminhos do indie brasileiro – e, não, eu não frequentei a Indie-Brasil. Mini já havia deixado de ser só o guitarrista de uma banda gaúcha, pois conheci seu trabalho com o Renan, que hoje tem a Disc-O-Nexo em Porto Alegre – os dois editavam um zine chamado Poneifax. Deov ter até hoje, a edição número 2 era especialmente memorável (hehehe). O Bruno eu conheci dos comentários no Sujo, peguei ele no colo quando ele ainda nem sabia como se pronunciava “dub”. Já o Arnaldo, eu conheço desde os anos 70, quando aprontávamos todas nos bailinhos de carnaval da Zona Sul do Rio, ao lado do Carlos Imperial, Fausto Wolff, Fred Leal, Jaguar, Allan Sieber e Matias Maxx. Bons tempos…

Bruno: O Arnaldo taí, mantendo o habitual silêncio, hahaha!

Mini: Ele tá fazendo um “cartum de entrevista” hahahahaha…

Matias: Acorda, Arnaldo! Já sao 5 da tarde!

Arnaldo: Cheguei agora da Policia Federal, onde fiquei 5 horas e não consegui tirar passaporte 🙁 O que é pra dizer?

Matias: Sempre a desculpa da Polícia Federal… Fala do Gardenal e da criação dOEsquema.

Arnaldo: O Gardenal era bacana, mas era muita gente, tinha até aquelas tentativas de surfar a onda de blog mulherzinha roots – antes do trend de tirar foto no espelho pra mostrar como estou linda hoje, viva o meu cartão de crédito etc.

Matias: Ah, o início dos anos 00…

Arnaldo: Acho que nunca consegui ler todos os blogs direito. Mas tinha muita fera, Ovelha Elétrica, Ressaca Moral… Eu nem encrencava taaanto assim com os paus do servidor, eu que sou velho não conseguia acreditar que podia publicar cartum e quadrinho de graça, sem nem pagar anuidade. Mas quando a gente perdeu tudo eu fiquei com dor no coração. Se bem que revendo coisas antigas que sobraram no ar e no HD (um blogspot do Mau Humor aqui, uns desenhos que ficaram perdidos em pastas escondidas depois de milhares de trocas de computador e formatações), de repente foi bom perder tudo. Aliás, quem era o Pablo? O Sr. Bonzinho ou o Sr. Muita Grana (hehe)?

Matias: O Pablo era o Sr. Bonzinho.

Arnaldo: OEsquema foi a bóia de salvação, achei o convite natural porque eu, Bruno e Matias já fazíamos parte de uma semi lista de discussão (nossa troca de emails) para reclamar nas quedas do servidor…

Matias: Como os sites de vocês mudaram depois dOEsquema?

Bruno: No início do URBe, escrevi mais sobre música, resenhas, etc. após OEsquema o leque de assuntos foi abrindo. como estou sempre lendo os vizinhos, existe também uma influência em relação ao conteúdo. Além disso, tem a questão complementar, de um assunto de um dos blogues gerar uma pauta, ou mesmo ficar atendo para não se repetir. Isso vai se intensificar com a implementação da home, juntando todo conteúdo do portal.

Arnaldo: OEsquema coincidiu com a fase em que começaram a me contratar pra fazer livro, quadrinho, etc, então ele passou a estar mais a reboque do meu trabalho para as grandes, antigas e malvadas corporações. E também porque ele era mais bonitinho, comecei a caprichar um pouquinho mais em desenho, apresentação, mas ninguém reparou 🙁 Agora pretendo deixar de lado um certo pudor de usar o Mau Humor pra outra coisa que não divulgar material próprio, transformar em uma espécie de tumblr, sei lá. Não dá pra ficar parado como está, esse é o país da Copa do Mundo???!!1

Matias: “Pode reparar, quem tem blog bom, normalmente é desempregado. Quando o cara arruma um emprego, não tem tempo pra ter um blog bom”. Ouvi essa frase do Mr. Mason em algum debate no tempo em que “monetização” era trending topic na era dos blogs pre-Twitter. Foi na mesma época em que eu já era editor do Link – e resolvi assumir isso como desafio. Por isso tive que mudar drasticamente o ritmo de posts do Sujo – menos textos imensos, mais comentários curtos, links pra outros sites, vídeos, fotos e MP3. Posto coisas que eu sei que amigos vão curtir, que leitores vão comentar e que eu possa talvez querer lembrar disso no futuro – então o Sujo acaba sendo uma espécie de arquivo pessoal, mais do que uma carta aos navegantes. É um StumbleUpon domado na unha. Falta o Mini comentar o que mudou no Conector.

Mini: Pois então, não tenho dúvida de que faz diferença blogar com mais tempo livre. Eu também andei reduzindo meu ritmo no Conector por conta de outros compromissos profissionais e pessoais. Uma das coisas que me mudou pra mim nos últimos dois anos foram os comentários diários na Oi. Porque apesar do Minimalismo ser gravado, ele exige pesquisa e redação diárias, é um fluxo constante de conteúdo sendo que eu tenho o trampo na publicidade, família, banda e outros projetos. Então estou aproveitando a mudança que vem aí d’OEsquema pra repensar como eu vou lidar com o Conector no próximo ano. A questão é que eu GOSTO de escrever textos maiores, não tenho muito prazer em produzir uma blogagem mais estilo Tumblr, mas ao mesmo tempo preciso manter o blog vivo, então vou ter que encontrar um meio termo.

Bruno: Costumo dizer que leio o URBe. Não que leria, que leio mesmo, prq realmente é um weblog pra mim, vira um arquivão de referencia pra mim mesmo.
Agora, Matias, diz pra gente: qual o segredo das duas mil listagens, com links e imagens upadas, por minuto? Somos todos lerdos ou vc tem técnicas secretas pra driblar nossa versão de museu do WP?

Matias: Eu deixo um monte de posts prontos. E acordo cedo. Mas tou cogitando contratar estagiárias…

Bruno: Cheio de segredos. A primeira vez que vi o Matias de frente pra um teclado, na primeira vez que ficou lá em casa, lembro que fiquei assustado com a quantidade de atalhos. E olha que meus amigos me acham super rápido, hahaha!

Matias: Atalho nao é segredo 😉

Mini: Eu queria fazer uma pergunta para o Arnaldo: como ele se sente a respeito de produzir material só para o blog? Ele costumava fazer isso, agora não faz mais. Não rola umas sobras? Como funciona isso pra ti, Arnaldo? Seria jogar fora material que pode ser vendido? Como funciona pra ti essa dinâmica? Pra mim é mais fácil, porque fora a Oi eu não costumo vender meus textos, poucas vezes vendi. E quando entrou o Minimalismo na minha vida eu comecei a fazer algumas reservas de mercado pra mim mesmo. Tipo “opa, isso rende programa pra rádio, não vai pro blog tão cedo”. E também queria saber da experiência dele com o Casseta e Planeta, tenho a maior curiosidade.

Arnaldo: Sobras rolam, falta é tempo de atualizar, juro. Sério, tenho alguns planos de migrar definitivamente para TV e cinema, e manter quadrinho e cartum como hobby, tirando dois ou três trabalhos para algum órgão e o Mau Humor, naturalmente. Dava pra manter o blog alimentado só com as colaborações para O Globo, G1, Folha, Monet e com os investimentos a fundo perdido, ou seja, projetos para editais e coisas do tipo. Eu não costumo guardar muito não, trato com idéia como trato com dinheiro, tendo a gastar porque acho que Deus pune a avareza 😉

O Casseta é demais, porque o único briefing é não fazer humor hermético, coisa que evito de qualquer forma em qualquer trabalho que faça, pra não entender é preciso má vontade profunda ou ser analfabeto funcional (não gostar, outra história, hehe). Sempre entrego junto com o Allan material que assinaria sem pestanejar, alguns exemplos até postei no Mau Humor. Esta nova fase do programa (deve estrear ano que vem) é diferente da anterior nesse ponto: depois que os Cassetas recebiam o material eles assumiam a bola e moldavam o texto no formato do programa, e agora o material volta com as considerações deles e devolvemos (e recebemos de volta novamente etc) até os quadros ficarem de um jeito que caibam no programa e tenham nosso estilo. As reuniões são o melhor, gostaria de criar um reality show chamado “Reunião”, só deixar a câmera ligada lá e editar as melhores partes. E são todos ídolos, tenho minhas edições do Planeta Diário e da Casseta Popular encardenadas.

Mini: Uma última coisa que me ocorreu, que me esqueci de dizer. Muita gente acha que o nome Conector tem a ver com tecnologia… mas na verdade eu comecei o blog e botei esse nome pra conectar assuntos e universos diferentes que me interessam. Então o blog nasceu – e eu sempre tento resgatar e manter isso – pra eu processar coisas que eu leio, vejo, assisto, ouço, penso. É um processador multi uso, de certa forma.

Matias: E o que vem a seguir? Mantemos o mistério?

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