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dezembro 2004

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O Globo Online, 03/12/2004

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foto: Carol Mariotto

Resenha do URBe, para o Rio Fanzine Online (O Globo).

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Gregory Isaacs no Brasil

Ganhar uma segunda chance, em qualquer coisa, é raro. Nesse quesito, no entanto, 2004 até agora tem sido generoso. Quem havia perdido as visitas anteriores de Massive Attack e Kraftwerk, teve outra oportunidade de conferir esses shows. Com o ano acabando, mais um nome fundamental dentro do seu gênero voltou ao Brasil: Gregory Isaacs.

Ao contrário dos dois primeiros, o Cool Ruler superou sua visita anterior. A medida que a turnê avançava, os comentários positivos sobre as apresentações de Gregory Isaacs pelo Brasil iam se acumulando. Recife, Salvador, São Paulo, por onde passava o rei do Lovers Rock (vertente romântica do ritmo jamaicano, o que lhe rendeu o apelido de Roberto Carlos do reggae por aqui) ia desfazendo a má impressão deixada na sua última passagem, quando ficou devendo uma atuação digna de sua história.

No entanto, 2004, o ano do repeteco, não ajudou os cariocas. O Rio ficou de fora de boa parte dos grande eventos que agitaram outros estados e com Gregory Isaacs não foi diferente. Para quem enxergou essa vinda como uma chance imperdível de ajustar as contas com o passado, restou ir para Juiz de Fora, em Minas Gerais, o mais perto que o jamaicano chegou do Rio.

O povo de Juiz de Fora, solícito e gente boa, compareceu ao Free Hits, mas não lotou o lugar. Antes do show começar, os DJs do Urcasônica (que abriu a noite, botando som antes do Grave!) ouviram até pedidos para tocar umas musiquinhas do Gregory. “Pra gente ir conhecendo”, explicou o rapaz.

Nem precisou. Acompanhado pela boa banda brasileira Leões de Israel, Isaacs entrou no palco depois das 3h da manhã e em três músicas todo mundo, conhecendo ou não, estava dançando. De terno branco, blusa preta e boné do NY Yankees, a voz saia limpinha, tal e qual nos discos.

A primeira foi “Number One” e depois o velhinho enfileirou hits como “My only lover”, “Front Door”, “Soon Forward”, “Slave Master”, a clássica “Night Nurse”, “Raggamuffin”, “Love is Overdue”, fora a citação a “People are you ready”, do Tappa Zukie. Repertório pra agradar qualquer um.

Conforme o transcorrer do show, Gregory foi ficando mais à vontade. Primeiro tirou o terno, depois abriu a blusa. Não demorou muito e já tava chamando uma menina pra subir no palco. A garota ficou cinco minutos lá em cima enquanto um amigo tentava tirar uma foto. No meio do show. Ninguém reclamou.

Se ele tivesse cantado uma música já teria valido a pena, só por ver uma lenda do reggae ao vivo. Foi bem mais do que isso. Quem perdeu, reze à Jah por uma terceira chance. Essas, porém, costumam ser bem mais difíceis.

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