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janeiro 2005

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O Globo, 21/01/2005

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Matéria sobre o Creative Commons que escrevi para o Rio Fanzine, do jornal O Globo.

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Música sem polícia à vista

Bruno Natal

Utilizar trechos ou pedaços de músicas de nomes conhecidos para criar outra obra, o famoso ato de samplear, costumar dar galho. Você já deve ter lido notícias escabrosas sobre adolescentes recebendo multas milionárias por baixar músicas na internet ou DJs e produtores sendo processados por utilizar samples sem autorização. No entanto, os dias da polícia da música parecem estar cada vez mais próximos do fim.

De olho no futuro, a Creative Commons, uma organização não-lucrativa, empenha-se na implementação de uma lei de direitos autorais moderna. Algo que não enxergue a troca de MP3 e samples como crime, por exemplo. Não é oba oba. Sai o “todos os direitos reservados”, entra o “alguns direitos reservados”. Alinhados aos novos tempos, pouco a pouco grandes nomes estão aderindo às licenças CC. O ministro Gilberto Gil e os recifenses do Re:Combo e do Mombojó saíram na frente. Lá fora tem muito mais gente.

Recentemente, a “Wired” distribuiu 750 mil cópias de um disco só com faixas sob a licença CC. O “The Wired CD: Rip. Sample. Mash. Share.” contém músicas de Beastie Boys, David Byrne, Zap Mama, My Morning Jacket, Spoon, Gilberto Gil, Dan the Automator, Thievery Corporation, Le Tigre, Paul Westerberg, Chuck D, The Rapture, Cornelius, Danger Mouse & Jemini, DJ Dolores e Matmos. Todas liberadas para serem sampleadas e distribuídas livremente na rede.

Seguindo essa lógica, surgiu o concurso “The fine art of sampling” (“A fina arte de samplear ”). Parceria da Creative Commons e da “Wired”, o concurso desafia produtores de todo o mundo a fazer o melhor que puderem utilizando trechos de qualquer música do disco encartado, disponíveis para baixar no site da revista. Nunca foi tão fácil. A data final para inscrição dos trabalhos é 12 de fevereiro. Corra, uma chance dessas não costuma aparecer sempre. Pelo menos por enquanto.

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