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março 2007

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O Globo, 16/03/2007

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rockz_aovivo.jpg
foto: Michel Souza
(pescada do fotolog da banda)

Versão não-editada da matéria sobre o Rockz que escrevi para o Rio Fanzine, do jornal O Globo.

O time do Rockz exige respeito. Formado por figuras conhecidas do cenário independente carioca, a banda tem Pedro Garcia (bateria; Cabeça, Planet Hemp), Nobru Pederneiras (guitarra; Cabeça, Lobão), Gabriel Muzak (guitarra; Funk Fuckers, Seletores de Frequência, carreira solo), Diogo Brandão (voz; Benflos) e Daniel Martins (baixo; Benflos). Com bagagens tão diferentes, é até difícil entender o que une os integrantes em torno do tal “novo rock”. Nobru explica.

— Eu e o Pedro queríamos fazer algo mais próximo do rock básico, dançante, como Rolling Stones, músicas que pudessem ser tocadas na pista. Isso não é novo, por isso as nossas influências não se baseiam apenas nesse tal “novo rock”. Esse rock é ‘novo’ por estar sendo feito por bandas novas, de agora, não pelo estilo.

Mais pesado do que as supostas matrizes da tríade Strokes-Franz Ferdinand-Bloc Party, a referência ao Queens of the Stone Age citada no MySpace não é gratuita. Preocupados apenas em fazer rock, a banda vai enfileirando boas músicas logo no primeiro EP, como “Colorbar” e “Reticências”.

Influenciados pela música eletrônica, de algum tempo pra cá, bandas de rock vem se aproximando das pistas de dança, isso não é novidade pra ninguém. Um dos primeiros estilos identificados com essa fusão foi o discopunk, de LCD Soundsystem e The Rapture.

Ano passado, uma leva de grupos se destacou fazendo músicas dançantes de maneira orgânica (ou seja, sem instrumentos eletrônicos), sacudindo as pistas de maneira anárquica, apoiados numa estética visual espalhafatosa. Com suas roupas coloridas e bastões que brilham no escuro, os ingleses do Klaxons são os expoentes desse movimento (muito por conta da versão do hino rave da década de 90, “The bouncer”, do Kicks Like a Mule).

O gênero foi batizado pela mídia de “new rave”, forçando uma semelhança com as raves pelo fato dessas bandas atuais se apresentarem em festas em galpões abandonados, normalmente ilegais e durarem a noite toda. Mesmo que os freqüentadores de uma cena não se identifiquem com a outra.

Creditado ao próprio Jamie Ryenolds, vocalista do Klaxons, o termo é frouxo o suficiente para abarcar grupos tão diferentes quanto Shitdisco, Hot Chip, Simian Mobile disco, DataRock e até os brasileiros do Cansei de Ser Sexy e Bonde do Rolê. Não demorou muito e bandas por aqui também começam a ser rotuladas como “new rave”. Moptop, Cooper Cobras e Rockz são algumas delas.

— Parece discopunk, não muda muito, é rock dançante. Daqui a pouco até o Mr. Catra vai ser “new rave”. Uma vez, em turnê com o BNegão na Europa, inventamos, de brincadeira, um estilo pra falar nas entrevistas para nos dar bem. Criamos o “samba dub” e um tempo depois começou a aparecer por aí. Quando a banda é boa, não importa o que seja — desdenha Pedro Garcia.

Com “músicas suficientes para encher dois discos”, segundo Pedro, o próximo passo é o clipe de “Essa mulher”, a ser filmado na Fosfobox, com muitos efeitos especiais, pelo mesmo diretor de “Confesso que errei”, Eduardo Kurt. Escolados na cena alternativa, o Rockz aguarda o melhor momento para lançar um disco cheio.

— Existem as lonas culturais, as casas da Lapa, as boates da Zona Sul, o Sergio Porto, os festivais e os improvisos em geral. Não acredito em cena favorável, vai da disposição, paciência e da criatividade de cada banda. Vamos continuar tocando, independente de como estiver a cena —finaliza Nobru.

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  1. Rod
  2. artu
  3. bruno
  4. Artu

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