quarta-feira

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dezembro 2013

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Encarando o Demdike Stare

Written by , Posted in Música, Resenhas

DemdikeStare_NovasFrequencias2013

Estampando a capa da atual edição da Wire, o Demdike Stare chegou ao Rio em alta para dar início a sequência de shows do festival Novas Frequências. Techno, ambient, dub, samples de filmes de terror, chiados de vinil e cacetadas de grave foram alguns dos recursos utilizados pela dupla de Manchester para abduzir o público.

Na maior parte do tempo apenas sugerindo melodias e batidas, as composições do Demdike Stare funcionam como peças, colagens sonoras que vão pingando no cérebro, desenhando-se pouco a pouco, de forma sutil. É uma audição ao mesmo tempo transcendental e extremamente exigente em termos de atenção.

Divididos entre diversos equipamentos, um opera filtros, pedais e sequenciadores, enquanto o outro sampleia vinis e cuida da parte visual no telão. Uma postura meditativa faz com que o transe se instale, para logo se começar a ouvir coisas onde não tem. Como se a mente tentasse preencher os espaços com outros elementos, numa experiência interativa mental e extremamente pessoal, sons imaginados (ou desejados) complementam a imersão.

Envoltos numa atmosfera assombrosa e assombrada – muito por conta dos samples cuidadosamente selecionados, muitos tirados dos arquivos de ciência e ficção científica da BBC – algumas referências se fazem presente. Um Prodigy desacelerado aqui e timbres noventistas acolá (como disse, cada um ouve o que quer naquela imensidão) dão ao espectador onde se segurar, um mínimo de familiaridade durante o mergulho por densas camadas atmosféricas.

Mesmo com tanta chapação, as cabeças na platéia chacoalhavam, corpos sendo sacudidos de dentro pra fora numa pista de dança interior.

Enquanto não chega um registro da apresentação dessa terça no Oi Futuro, assista abaixo um set da dupla no Boiler Room:

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