quinta-feira

25

novembro 2010

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Cinco dias em SP

Written by , Posted in Música, Resenhas

Fazia um bocado que não passava “tanto tempo” em São Paulo, cinco dias. Horas preenchidas com muitos shows (Planeta Terra, Paul McCartney, Martina Topley-Bird), reuniões, restaurantes e balões de taxistas (sério, recorde pessoal).

Mesmo com tantos eventos, o assunto que dominava os papos eram os boatos de que o Daft Punk estaria na cidade (1) e tocaria no Bar Secreto na sexta (2), no sábado faria um repeteco da sua participação no show do Phoenix em NY mês passado (3). Nada se confirmou, muito menos se consumou.

Estreando no Planeta Terra, confirmei o que se fala há tanto tempo: é o melhor festival do Brasil. O que não sabia é que isso, nem de longe, significa perfeição.

A circulação entre os dois palcos no Playcenter é caótica, só tem porcaria pra comer, as fichas não valem para pegar bebida fora dos bares, filas quilométricas nos banheiros e, o mais grave, o som baixo do palco principal clipava direto.

Um festival agradável é metade mérito de uma produção bem feita, metade do bom comportamento do público. E isso o Planeta Terra tem de sobra. Pessoas tranquilas, sem se espremer para ver shows shows, tratando uns aos outros com respeito, shows começando pontualmente e banheiros limpos (sempre com papel, informaram as mulheres).

A escalação não era exatamente empolgante, porém os bons shows do Phoenix, Yeasayer e Pavement fizeram valer a pena. Por outro lado, o Empire Of The Sun fez uma das apresentações mais constrangedoras já vistas.

No palco principal, o Of Montreal estava mais preocupado em chamar atenção com fantasias e aloprações do que com o som. Os hits foram bem, as menos conhecidas flutuaram num rock genérico, embora os fãs tenham saído satisfeitos.

No palco menor, onde mais cedo tocou o Holger, o Yeasayer fez um dos melhores shows do festival. As experimentações rítmicas e sonoras do grupo não sofrem ao vivo. É um show mais viajante, contemplativo, mas nem por isso menos interessante.

Uma das atrações mais aguardadas, o Phoenix fez um show correto, demonstrando algum cansaço de um ano e meio de turnê. Apesar de ter ficado lotado, a maior parte das pessoas conhecia e aguardava apenas os sucessos de “Wolfgang Amadeus Phoenix”, respondendo sem muita empolgação as músicas dos discos anteriores ou mesmo as menos pop do disco atual. Pulação mesmo só em “Liztomania” e “1901”.

Uma pena, pois o Phoenix é melhor justamente quando se distancia do “rock dançante” (ô termo…) e se aproxima mais do house francês do Daft Punk ou da eletrônica relaxada dos parceiros do Air, com camadas de sintetizadores e pulsações graves. Ainda assim, a sequência de duas partes de “Love Like a Sunset” foi tida como pausa para conversar.

Tudo bem que em alguns momentos a banda não coopera. Se levando a sério demais, na própria “Love Like…” a parada para o guitarrista tocar a frase lentamente, nota por nota, colabora com a dispersão.

Quando o vocalista Thomas Mars se jogou na galera o povo acordou. No geral, um bom show, mesmo que não muito empolgante para os que foram apenas pra conhecer.

Do Empire of The Sun não tem muito o que dizer. Batidas pré-gravadas, repetitivas e pouco criativas, serviam de fundo para um bando fantasiado com as roupas da abertura do Fantástico dançarem ao som de uma guitarra terrivelmente tocada pelo líder da banda.

O Girl Talk encheu o palco de amigos e fez uma apresentação morna, baseada no novo disco, “All Day”, lançado dias antes. O lugar muito grande, com pessoas espalhadas, não foi a ideal para o rei do mashup de hits do passado com sucessos do hip hop.

Billy Corgan tem muito o que aprender com o Pavement, que ele tanto odeia, apresentando-se imediatamente antes do Smashing Pumpkins (ou o que restou dele). Deu gosto ouvir “Shady Lane”, “In The Mouth a Desert” e “Cut Your Hair” sendo tocadas com sinceridade, agradando a multidão indie (e curiosamente indie era o nome do outro palco…) que esperou muito tempo para ver a banda.

“Tonight, Tonight”, do Smashing Pumpkins, foi a trilha da saída. Preferi não assistir o show pra não repetir a decepção da turnê do “Adore”, em 1998, borrando as boas lembranças de 1996, com a banda no auge, no Hollywood Rock.

Uma pena que a saída do festival foi tumultuada, um salve-se quem puder atrás de um táxi. A confusão foi repetida no final do show do Paul McCartney, no Morumbi no dia seguinte, quando as pessoas foram obrigadas a andar quilômetros até encontrar um carro disponível, e mesmo assim cobrando preços astronômicos e roubando os passageiros.

Dentro do estádio lotado, quem mandava era o Paul e com isso tudo estava garantido. Mesmo que as cordas e metais sintetizados, a farofice dos integrantes da banda de apoio se esforçassem, muito, para colocar tudo a perder.

O show é ótimo, porém muito longo para quem não é um fã obcecado. E mesmo para esses, muitas das músicas poderiam não estar ali, ou ao menos serem substituídas por outras melhores. Nada disso importa. O que interessa é estar no mesmo lugar que uma lenda e ter a oportunidade de ouvir algumas da canções mais bonitas já compostas.

A verdade é que fui até lá corrigir um erro histórico, quando tentando fugir do tumulto da saída do show do Paul no Coachella ano passado, perdi o segundo bis e a chuva de clássicos enquanto andava pro estacionamento dando socos na própria cabeça. Missão cumprida.

São Paulo está fervendo e na segunda-feira, no Comitê Club, Martina Topley-Bird, cantora do Massive Attack, se apresentou acompanhada do Curumin e da CéU. O lugar é muito legal, pequeno, lembrando bastante um Ballroom melhorado. O show foi bom, um pouco prejudicado pela ausência do Ninja, multi-instrumentista que acompanha Martina.

Na terça tinha Hallogallo 2010, projeto de Michael Rother (ex- Kraftwerk), relendo músicas do Neu!, acompanhado por Steve Shelley (Sonic Youth) e Aaron Mullan (Tall Firs), mas já estava de volta ao Rio. Bom pra descansar, porque se deixar, em São Paulo toda noite tem algum programa.

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4 Comments

  1. rocha
  2. Bruno Natal

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