domingo

29

agosto 2004

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Chemical Brothers (Creamfields 2004)

Written by , Posted in Resenhas

Principal atração da edição inglesa do Creamfields, em Liverpool, o Chemical Brothers não podia ter escolhido melhor música pra abrir o show. Aquecendo pra decolagem, a curta letra de ‘Hey Boy, Hey Girl’ condensava o que estava pra acontecer. Enquanto Tom Rowlands e Ed Simons, sem falsa modéstia, avisavam aos ‘garotos e garotas’ que os ‘superstar DJs’ estavam na área, o público se entregava e respondia, ‘Here we go!’

À primeira vista, a quantidade de equipamento no palco parece um exagero. Porém, bastam duas ou três músicas para mostrar o contrário. Observar um sequenciador montado verticalmente, como se fosse um quadro numa parede ou a tela de um painel, é ter certeza de que, na verdade, o duo pilota uma nave. Completamente cercados por teclados, midis e computadores, a dupla lidera uma catarse eletrônica coletiva onde não há espaco para sobras ou firulas.

Diferente das apresentações ao vivo da maior parte dos grupos de música eletrônica, que geralmente se limitam a utilizar bases pré-programadas e samples ou uma banda na tentativa de transpor para o palco o que fazem no computador, Tom e Ed parecem levar o estúdio inteiro para o palco e fazem tudo ao vivo. Exatamente por isso, tal qual uma banda no sentido mais óbvio do termo, o Chemical Brothers toca suas músicas, nota por nota, bit por bit, podendo assim mudar de direção a qualquer momento, de acordo com a resposta do público. E isso, pode ter certeza, faz toda diferença.

Transitando por todo repertório, de ‘Block Rockin’ Beats’ a ‘Golden Path’, incluindo Elektrobank’, ‘Get Yourself High’, ‘Setting Sun’ e a excelente ‘Star Guitar’, até culminar na auto-explicativa ‘The Private Psychedelic Reel’, o Chemical Brothers confirma qualquer expectativa.

Ao vivo, as músicas surgem em versões diferentes. Algumas são extendidas, outras vêm e vão ao longo do show e boa parte ganha outras batidas. Em todas, a qualidade da produção da dupla impressiona. Passeando por diversos estilos –do breakbeat ao trance, do house ao pancadão, com direito a robozinhos no telão– e cuspindo graves estúpidos sobre batidas assassinas, a impressão que se tem é de que o resultado das investidas nesses estilos são algumas das melhores músicas de cada gênero. É tão bom assim.

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