segunda-feira

8

março 2004

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A revanche

Written by , Posted in Resenhas

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foto: Joca Vidal

O inglês Norman Cook, o Fatboy Slim, chegou no Rio mordido. É que na última vez que tocou na cidade, no Free Jazz 2001, o dj fez um set pesadão que não agradou ninguém. Nem a ele mesmo. Na coletiva de imprensa, Fatboy contou que naquela noite “levou uma surra” do dj que tocou mais cedo, o mesmo Jon Carter que entrou antes dele ontem, na Praia do Flamengo.

Foi o dia de ir a forra. O primeiro evento do Nokia Trends (em setembro eles trazem para São Paulo o mega festival multimídia espanhol, Sónar) começou às 16h30 com o db dos djs Patife e Marky. John Carter entou na sequência e fez um set tão bom quanto o de 2001. Destaque para “Lithium”, do Nirvana, em versão um pouco diferente da que o 2ManyDJs tascou no TIM Fest, ano passado.

Às 19h, cerca de 160 mil pessoas se espremiam para assistir o Fatboy Slim. Ele abriu com uma versão de “Garota de Ipanema” e em seguida botou a tal música que fez para o Rio. Recheada de samples de músicas sobre a cidade, como “Rio”, do Duran Duran, o vocal repetia “Rio de Janeiro, Rio de Janeiro” insistentemente antes de explodir num break matador. Presentão.

Carismático, o dj se comunicava com a platéia escrevendo mensagens nas capas dos discos que apareciam no telão, como no DVD “Big Beach Boutique II”. Foi dessa forma que ele informou que nunca vai tocar “Rio” em outro lugar, mandou um alô para a turma que assistia a tudo de barcos ancorados na praia e disse que queria fazer amor com a platéia depois do show. Até um Elvis, fase Las Vegas, entrou no palco para dançar.

O set de duas horas, bem pop, foi eclético. Teve desde uma versão de “Groove is in the heart” (Dee Lite), citação a “Menino do Rio” (Caetano) e “Born Slippy” (Underworld), a várias ameaças de tocar músicas mais conhecidas, como “Seven Nation Army” (White Stripes) ou “The test” (Chemical Brothers). O dj deu show, esgarçou o mixer.

Dá para dividir o set em três “categorias”: os sambinhas eletrônicos (meio mais ou menos, felizmente foram poucos); os 4×4 quadradões, com batidas em linha reta; e, finalmente, a melhor parte, os breaks grooveados, alegres e sacolejantes. Nessa linha, além da música em homenagem ao Rio, Fatboy tocou seu remix para “Quem cagüetou?”, música do Tejo (Instituto), com vocais do Black Alien e Speed, que fez parte da trilha sonora do filme “O invasor”.

“Quem cagüetou?”, um Miami bass / ragga / funk, está estourada na Europa desde o ano passado, quando serviu de trilha para um comercial da Nissan. A música chamou mais atenção do que propaganda, acabou sendo lançada como single e ganhou remixes de grandes nomes da música eletrônica.

O break beat parece ser a bola da vez. A música eletrônica passa por uma crise criativa (conversei sobre isso com o próprio Fatboy, em entrevista que sai na Revista da MTV de abril) e atualmente a mistura de gêneros aparece como solução. O break beat é um estilo perfeito para esse tipo de cruzamento. Isso acontecendo, aqui no Brasil a aposta mais sensata é o Apavoramento Sound System (parece que algúem já fez a aposta). Quem viu o show deles no TIM Fest sabe bem disso.

O momento funk se estendeu com a versão de “Whoomp! There it is”, a famosa “Uh, tererê”. É impressionante como o ritmo contagia, principalmente aqui no Rio. O público, que já estava dançando bastante, pulou ainda mais ao ouvir o pancadão. Fatboy mostrou que dessa vez pesquisou bastante o que tocar e acertou em cheio.

Na área de imprensa, colada nas caixas, o som estava bom. Mas houve bastante reclamação quanto ao volume, muito baixo segundo quem estava na praia, afastado do palco. Ao invés das laterais, a área vip ocupava o espaço em frente ao palco, criando um faixa que separava os djs da platéia. Nesse ponto as opiniões do público se dividiram. Para uns a festa foi bancada pela Nokia e eles têm o direito de chamar quem quiser, para outros a multidão presente deveria ter a chance de ficar mais perto, afinal a cidade era o cenário da festa.

A noite terminou cedo, às 21h, com uma queima de fogos para emoldurar a lua cheia e um papo de “ano que vem tem mais”. Tomara.

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