sexta-feira

11

setembro 2015

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Transcultura #171: Bruno Pernadas // Spotify Discover Weekly

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Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Com músicas de até oito minutos, disco de Bruno Pernadas tem sofisticadas experimentações
Em ‘How can we be joyful in a world full of knowledge’ português mescla folk, ambient, eletrônica, jazz, hip-hop
por Bruno Natal

Dica do jornalista Julio Adler, surfista e grande conhecedor das coisas de Portugal, “How can we be joyful in a world full of knowledge”, de Bruno Pernadas, não é um disco fácil. Tem arranjos elaborados, melodias sofisticadas e longas músicas, algumas passando dos oito minutos. Mesmo assim, é muito acessível em suas experimentações por folk, ambient, eletrônica, jazz, hip-hop, com suas atmosferas psicodélicas e chapadas. Pode-se fazer paralelos com Dirty Projectors, Stereolab ou Beach Boys, pode-se também enfileirar Creedence Clearwater Revival e trilhas sonoras.

São referências presentes no som de Pernadas, estudante de música clássica, jazz e composição em instituições como a Escola de Jazz do Hot Club de Lisboa e a Escola Superior de Música de Lisboa e autor de trilhas para teatro e cinema. Ele chegou a gravar um outro disco, de jazz, nunca distribuído, antes da estreia oficial, com “How can we…”, que merece atenção, mesmo tendo sido lançado ano passado. A escolha pelo inglês chama a atenção.

— Cresci ouvindo música cantada em inglês — explica ele. — Durante o processo de composição, no que diz respeito ao caráter melódico, imagino as músicas cantadas em inglês ou francês.

Com a ideia de fazer do disco um só momento musical, em vez de faixas isoladas, as músicas emendam-se umas nas outras. Entre as influências herdadas da coleção de vinis da irmã mais velha, Pernadas lista David Bowie, Genesis, Elis Regina, Gal Costa, Doors, Yes, Rádio Macau, Richie Havens, Antonio Variações, Beatles e Rolling Stones.

— Meu processo de composição é muito intuitivo, as ideias podem começar com uma frase melódica, um som, uma progressão harmônica, depois sigo o instinto — conta. — Ouço a música na cabeça e depois transponho para a notação musical ou, se tiver oportunidade, gravo uma demo para não me esquecer. Também acontece de ouvir um fantasma de um som, mas não conseguir de imediato perceber qual é, e por vezes esse processo pode ser demorado.

Sem sentir necessidade de contratar um produtor, Pernadas capitaneou as gravações, feitas entre 2012 e 2013. Contando com a participação de sete músicos (Afonso Cabral, Margarida Campelo, Francisca Cortesão, João Correia, Ricardo Ribeiro, José Maria e Sérgio Costa), “How can we…” foi lançado em plataformas digitais de streaming e também em CD, via Pataca Discos.

— Não queria fazer um disco de canções — resume.

Conhecedor da música brasileira, Pernadas diz que tem escutado Arthur Verocai, Novos Baianos, Elizeth Cardoso, Gal Costa e Cartola.

— Quando criança e adolescente, ouvia mais MPB. Já tive também a oportunidade de tocar com (o tecladista) Lafayette Coelho num show de que participei, no Circo Voador, com o Real Combo Lisbonense e a Orquestra Imperial. Gosto muito de uma música do Rodrigo Amarante que se chama “Evaporar”, que ele gravou com o Little Joy.

Ainda sem previsão de lançamento no Brasil, “How can we…” foi bem recebido em Portugal, gerando shows e resenhas positivas e levando Pernadas a se apresentar na edição portuguesa do festival Primavera Sound, em junho, no Porto.

Tchequirau

Há duas semanas o Spotify iniciou uma playlist semanal personalizada chamada Discovery Weekly. A cada semana dicas especialmente curadas para cada usuário geram ótimas descobertas. Tá viciante.

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