sexta-feira

4

setembro 2015

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Transcultura #161: Leon Bridges // Jack Garrett

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Texto originalmente publicado na “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Pérola Soul
Influenciado por Sam Cooke, o cantor americano Leon Bridges, de 27 anos, vira hit na internet com apenas três músicas gravadas, lota shows e conquista contrato com grande gravadora
por Bruno Natal

LOS ANGELES — Uma hora antes da abertura dos portões, a calçada em frente ao tradicional Troubador, no Santa Monica Boulevard, em Los Angeles, estava lotada. Entretanto, a maior parte das pessoas não tinha ingresso para assistir ao texano Leon Bridges com seu soul sessentista. Os bilhetes, que originalmente custavam US$ 15, estavam sendo vendidos por cambistas por US$ 75 dólares, com alguns pedindo exorbitantes US$ 200.

Porém, bastava um pouco de paciência e cara de pau para descobrir, perto da hora do show, algumas pessoas com um ingresso sobrando daquele amigo que não conseguiu chegar. US$ 20 dólares depois, 300 pessoas, incluindo diversos medalhões da indústria, espremiam-se dentro do pequenino teatro para assistir o rapaz de 27 anos desfilar suas… três músicas?

Oficialmente, três músicas é tudo o que Leon Bridges lançou até agora. Foi o bastante para chamar a atenção de selos com sua revisão da sonoridade de Sam Cooke. Bridges não faz nenhuma questão de esconder a referência. Em entrevistas, o praticante de dança urbana e fã de Usher conta que o seu objetivo era mesmo soar “exatamente igual” a Cooke, que conheceu após escutar “A change is gonna come” no filme “Malcolm X”, de Spike Lee. Mas foi apenas quando começou a escrever as próprias canções que, de fato, ele buscou inspiração nos discos do lendário cantor, morto em 1964.

A primeira delas, “Lisa Sawyer”, foi feita em homenagem à mãe. Descoberto num bar por Austin Jenkins, guitarrista do White Denim, Bridges foi levado para um estúdio, onde gravou seu disco. Foram dessas gravações que vieram seus outros dois hits digitais, “Better man” e “Coming home”. Lançadas em seu Soundcloud, as três músicas somam mais de 2 milhões de execuções (e mais 3 milhões no Spotify).

Bridges acabou assinando com a Columbia, e seu disco de estreia ainda não tem data para sair. Ao vivo, a apresentação inclui músicas ainda inéditas, como “Let you down” e “Daisy may”. Apesar de não lançadas, elas podem ser conferidas em vídeos no YouTube. A versão de “Nothing can change”, de Cooke, que Bridges vinha tocando, no entanto, ficou fora do show.

Acompanhado por uma banda afiada e grande para um artista em início de carreira — duas guitarras, baixo, bateria, sax e duas cantoras de apoio — Bridges mostra a voz bonita no show. Mas poderia ser melhor se a soltasse com mais vontade. Difícil saber se é apenas a timidez, nítida no palco, disfarçada com danças desajeitadas. O figurino é retrô, caprichado, como a imagem que vem divulgando através do seu Instagram. Apenas na parte final é que ele empunha o violão e canta as duas últimas, “River” e “Lisa Sawyer”, acompanhado apenas pelas cantoras de apoio. Após 50 minutos, o show acaba e boa parte das pessoas sai com a mesma impressão: dificilmente o próximo show será num lugar tão pequeno.

Tchequirau

O britânico Jack Garratt tem 24 anos e produz, toca e canta tudo em suas faixas de r&b eletrônico. Em “The Love You’re Given” a cantora Lisa Fischer participa.

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