URBe | por Bruno Natal

URBe | por Bruno Natal

Cultura digital, música, urbanidades, documentários e jornalismo. Não foi exatamente assim que começou, lá em 2003, e ainda deve mudar muito. A graça é essa.

Resenhas Archive

segunda-feira

27

maio 2013

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"Nós somos o Explosões no Céu"

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Os texanos do Explosions In The Sky e sua parede sonora de três guitarras, perfurada por um baixo e uma bateria (e que suadeira deve ser passar o som daquela bateria pra soar no meio de camadas e mais camadas de distorção), chaparam o Circo Voador ontem a noite.

Fazendo lembrar o transe causado pelo Mogwai ano passado, o EITS é um pouco mais manso e menos ensurdecedor. O som não tão alto (mesmo assim bastante alto) e arranjos de guitarras mais melódicos suavizam a experiência. As quase mil pessoas presentes foram abduzidas, levadas numa viagem instrumental em que se respeitaram o silêncio das músicas como raramente se vê.

Com as músicas perfeitamente emendadas uma nas outras, o EITS saudou o público na entrada e na saída do palco, sem bis. Uma cacetada só na moleira e o serviço estava feito.

segunda-feira

10

dezembro 2012

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Uma volta (atrasada) pelo Back2Black

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Duas semanas atrás teve o Back2Black e a resenha ficou pendurada. Dos três dias, estive em dois pra conferir Missy Elliott e Santigold, aproveitando pra ver as belas costuras africanas da banda da malinesa Fatoumata Diawara, Sany Pitbull & Gerson King Combo e Emicida.

No palco menor, numa noite Sany Pitbull recebeu Gerson King Combo, numa mistura que não flui tão bem, atrapalhada por um MC que destoava um tanto da proposta. Na outra, Emicida tocou acompanhado por uma banda, o que eleva em muitos níveis qualquer apresentação de rap.

Ainda assim, como em quase todo show de rap, com DJ ou com banda, as letras são incompreensíveis por quem já não as conhece. Junto com a péssima dicção de boa parte dos rappers (aliada a toadas exageradamente rápidas para fazer caber tantas frases – “escrever é a arte de cortar palavras”, disse o poeta Drummond), a dificuldade de se entender o que está sendo dito dificulta demais a experiência. Mesmo com boa dicção e ritmo, Emicida não escapa desse problema ao vivo.

Mesmo que apenas seu carisma mova qualquer pista, Missy Elliott animou com seus hits mas não convenceu. Acompanhada de uma enorme equipe de dançarinos, um DJ e trocando de roupa a cada duas músicas, o que Missy menos fez foi cantar. Foi uma base pré-gravada e dublagem de vocal atrás do outro, o que esfriou bastante a experiência. Impossível deixar de notar que Missy Elliott não desperta as mesmas polêmicas que Tati Quebra Barraco, ainda que a grande diferença entre elas (além das batidas do Timbaland) seja o patrocínio da Adidas da gringa. O discurso pussy power é o mesmo, inclusive na quantidade de palavrões e letras “pornográficas”.

Quem fez valer o festival foi Santigold. Escolada, Santi não é nenhuma garota e já sabe exatamente o que precisa fazer para acertar seu público. Com mais músicas conhecidas do que a memória imediatamente acusa, Santi não tem o mesmo carisma e desenvoltura de uma Missy Elliott, porém o timbre inconfundível da voz, androginia reciclada da Grace Jones, suas dançarinas robóticas.

O mais importante é mesmo a produção musical. Sempre cercada de bons produtores, Santigold tem um bom repertório de sacolejos a disposição . Com uma banda com um pé no reggae e outro no synthpop, uma mão no pós-punk e outra no new wave, Santi ofereceu algo irrecusável: groove. Sempre infalível.

terça-feira

19

junho 2012

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Mahmundi ao vivo

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Sexta passada teve a estreia da Mahmundi, na Comuna. O lugar não coopera, tanto a acústica quanto (principalmente) os equipamentos embolam o som e prejudica a apresentação, emulando sem querer a estética lo-fi de algumas de suas músicas. Ainda assim, considerando que era um primeiro show e é pra ser rampeiro mesmo, a graça é assistir decolar.

E a pegada pop pode mesmo ir longe, basta acertar detalhes e encontrar o público, essa grande tarefa. Os arranjos funcionam ao vivo, a banda capitaneada por Lucas Silva Paiva, produtor do SILVA (que se chama Lúcio, ê confusão…), parceiro de Mahmundi nas letras e na fé em Cristo, segura a onda. Falta agora estrada e melhores condições técnicas. É impressionante como quase nenhuma banda tem seu próprio técnico de PA, esse integrante invisível, crucial para o bom andamento das coisas.

Entre referências de Rita Lee, Friendly Fires, Marina, Keane e outros citados pela Mahmundi em entrevistas, o que pega mesmo é o gospel. Ouça a letra de “Desaguar” com atenção e o papo de “boa nova”, “mão do redentor” e fica claro. Ela está preparando seu culto, começando devagarinho, num lugar pequeno e cercada de amigos. Faz bem ela.

segunda-feira

4

junho 2012

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Los Hermanos, mais uma vez

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Camisetas piratas vendidas na porta

Não faço ideia de quantos shows do Los Hermanos já assisti, nem pela tag da banda aqui no URBe dá pra ter muita noção. Dos pequeninos na PUC e Ballroom, ao Rival vazio no dia que a cidade foi “fechada” por traficantes; de vários no Canecão com abertura de bandas independentes, ao de número 500 no Circo Voador, de 8 mil pessoas no Metropolitan, a série de shows de despedida na Fundição Progresso. Mesmo assim – ou por isso mesmo – conferir um dos shows comemorativos dos 15 anos da banda era obrigatório.

Deixei para a última noite da temporada e, pelo que ouvi, dei sorte. Houve show em que o som simplesmente parou de funcionar por problemas no gerador, então, comparado a isso, o tradicional bololô sonoro da Fundição, somado aos berros dos fãs, era cristalino.

Não faço a menor ideia de como solucionar a equação, visto que seriam necessário duas semanas cheias no Circo Voador (capacidade de 3 mil pessoas) para atender a quantidade de público recebida pela Fundição nas seis noites (capacidade de 7 mil pessoas), ou então encarar o Vivo Rio, que também pena com questões de acústica, mas que os hermanos e os hermaníacos mereciam um som melhor, ah, mereciam.

O cheiro de naftalina que poderia tomar conta do ambiente, ainda mais considerando-se que as carreiras individuais do Camelo e do Amarante seguem firmes, foi dissipado tão logo os primeiros acordes soaram. Em muitos aspectos, foi como se tempo algum houvesse passado.

Para os que acompanham a banda desde o começo, foi como ver um show antigo. Para os milhares de jovens que nunca tinham visto o Los Hermanos ao vivo, teve gosto de presente. Ao contrário do que indicavam os últimos shows esporádicos desde a despedida dos palcos pré-hiato, o grupo continua afiado, tão catárticos quanto antes da pausa.

Passado algum tempo, as músicas de todos os discos, por mais que sejam diferentes, se misturam de maneira mais coesa. Os fãs do primeiro disco (teve até a um dia renegada “Anna Julia”) pogam, a turma cult canta junto com o “Bloco do Eu Sozinho, a massa vem junto no bem sucedido comercialmente “Ventura” e até a placidez do “4” hoje empolga tanto quanto as músicas dos anteriores.

Alguns anos depois, nem dá pra saber se as cobradas músicas novas do Los Hermanos são necessárias, ou mesmo se fariam sentido. Pode ser que seja isso mesmo, os quatro discos, congelados no tempo, podendo ser revisitados eventualmente, quando convir, enquanto os integrantes tocam suas vidas em separado. Só o tempo dirá.

Após o sucesso de uma impressionante turnê de 24 datas, uma aula de produção e promoção, com média de público de 5 mil pessoas (e meia-entrada a R$ 80, faça as contas), todas as opções estão abertas. Conhecendo a banda, só eles decidirão o que fazer – e isso, quando quiserem.


As músicas, na foto do Ramon Moreira

domingo

27

maio 2012

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Siba no Rio

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O Joca esteve lá e conta como foi:

“Finalmente os cariocas puderam ver o novo show do músico Siba, que já mostrou o excelente repertório de “Avante” em várias cidades brasileiras. O Oi Futuro Ipanema lotado se segurou nas cadeiras durante a terceira atração do Levada, festival que ocupa o espaço até outubro. O ótimo guitarrista Siba apresentou uma formação enxuta, com bateria, teclado e tuba (estes últimos fazendo o papel do baixo) e tocou nove das dez músicas do álbum, de um total de 14 – as outras foram de seus trabalhos anteriores com a Fulôresta (“Alados”) e com Mestre Ambrósio (“Mestre Guia”). Destaque para “Bagaceira”, tocada duas vezes, e “Brisa”, ambas de “Avante”, seu disco mais acessível. Sem muitas fusões com ritmos nordestinos, apenas referências em meio a um bom pop rock, o repertório ganhou força com improvisações instrumentais, alongando os temas. Siba prometeu voltar para um novo show, onde “caibam todos e tocaremos até o público começar a ir embora” – disse ele. Vamos ver se ele cumpre a promessa.”

E nesse final de semana ainda teve Curumin e Arnaldo Antunes.