Imprensa Archive

segunda-feira

13

junho 2016

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Ponto Eletrônico, Junho/2016

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primaverasound_pontoeletronico

Cobertura do Primavera Sound Barcelona 2016 que escrevi para o site Ponto Eletrônico, contextualizando o festival entre seus pares.

Escrevi outras duas resenhas: para o Globo (apanhado geral do festival) e aqui mesmo no URBe falando mais dos shows).

—–

Primavera Sound: um festival de música
Enquanto a tendência dos festivais é criar experiências cada vez mais elaboradas, o Primavera Sound surpreende com a escolha de priorizar a música
por Bruno Natal

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sábado

16

abril 2016

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Chico Buarque e a internet (mais um capítulo)

Written by , Posted in Urbanidades

fb_chicobuarque_hoax

Levou dez anos, mas consegui: desmascarei Chico Buarque como uma fraude. Não, pera, é melhor não brincar com esse assunto. Piadas estão literalmente sendo levadas a sério e as coisas podem se confundir.

Produzi e dirigi dois documentários sobre Chico Buarque, “Desconstrução” (2006) e “Dia Voa” (2011). Paralelo as filmagens do segundo, realizei também um projeto online, Chico Bastidores, que revelava aos poucos os detalhes do disco “Chico” que viria a seguir, assim como os bastidores da gravação.

Corta para 2016. Se o projeto de 2011 já havia gerado um meme, a partir do vídeo em que Chico Buarque faz graça sobre os comentários odiosos a sua pessoa que leu na internet (e como foi divertido ver o trecho ser ressignificado tantas vezes!), o filme de 2006, lançado numa época em que as redes sociais ainda engatinhavam, tinha passado batido.

Isso até o país entrar em parafuso através da polarização pró e contra impeachment da presidenta Dilma Roussef. A direita raivosa pegou um trecho do doc, claramente uma piada, e transformou em uma “prova” sobre a falta de honestidade artística do Chico (a imagem que abre esse post é de um dos muitos posts repercutindo a “descoberta”. Assista o trecho em questão abaixo:

Seria hilário se não fosse trágico. Precisou o site de humor Sensacionalista falar sério para esclarecer a mentira. Pior que a manipulação rasteira que visa gerar ruído através da desinformação, é ver a quantidade de gente que acreditou e compartilhou – sem questionar e, muito provavelmente, sem sequer assistir o trecho do filme. Foi triste de ver.

E assim, o que poderia ser apenas mais uma piada sem graça na internet, serve tanto como exemplo da qualidade e do tom das informações manipuladas e cercadas de interesses que tem circulado pela rede num momento tão delicado do país, quanto de testemunho de como é fácil conduzir o pensamento de uma quantidade enorme de pessoas, que forma sua opinião de maneira rasa, muitas vezes até por ingenuidade, sem nem se dar conta disso.

Independente do resultado domingo, lembre-se que quem “ganhar” essa disputa vai ter conseguido isso através de um acordão. Ninguém ali vota pelo país, vota por agenda. É difícil, mas política é assim (e impeachment é uma questão política, não de justiça). O país seguirá adiante e nós teremos, mais do que nunca (porque é sempre é assim), que fazer nossa parte, todo dia, pra fazer disso aqui um lugar melhor.

O caldo vai continuar fervendo em fogo alto pelas próximas semanas e é sempre bom lembrar: muito cuidado com o que você lê, onde você se informa e como você forma sua opinião. Nesse fogo cruzado de informações, todo cuidado é muito pouco.

terça-feira

11

novembro 2014

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Trancultura #150: We Are Shining // J Mascis

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OGLobo_WeAreShining_2014

Texto na da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Viagem delirante
Uma volta pelas 12 faixas de ‘Kara’, que a banda diz ser ‘uma trilha para um filme mental’
por Bruno Natal

A dificuldade de se rotular música de acordo com estilos é uma das grandes dádivas da recente geração de bandas. Cada vez mais mistura-se de tudo sem a intenção explícita de sequer criar um novo gênero. É justamente a ideia de fazer com que esses sons convivam, sem que um vire o outro, que rende os melhores resultados. Nesse quesito, ao menos em 2014, tem pouca banda para bater de frente com We Are Shining.

O grupo é formado pelos ingleses Morgan Zarate e DJ Acyde, ambos com alguma experiência na música. Zarate foi parte do trio de trip-hop, soul e r&b Spacek e lançou três discos pelo selo Hyperdub, do Kode9. A dupla já esteve em estúdio com Kanye West e se apresentou duas vezes na série Boiler Room.

Uma volta pelas 12 faixas do disco de estreia, “Kara”, dá um nó na cabeça de qualquer um: guitarras africanas duelam com blues tuaregue, viradas afrobeat colidem com riffs de rock, climas atmosféricos emprestados do reggae se encaixam em vocais soul, Jimi Hendrix passeia por um groove de hip-hop. É um disco retrô e referencial, sem deixar de ser extremamente avançado, sendo ao mesmo tempo sujo, gasto e barulhento, polido e bem-acabado.

“Trilha para um filme mental”

Essas são as referências imediatamente identificáveis — a dupla ainda cita psicodelia turca, experimentos eletrônicos dos anos 1960, afro rock setentista, hip-hop do final dos anos 1990 e Moombahton. Tanta mistura costuma ser receita para o desastre; ou sai um bololô sonoro pretensioso ou uma coleção de faixas, cada uma atirando para um lado. O We Are Shining consegue cumprir a difícil tarefa de escapar dos dois riscos. “Kara” mantém sua unidade e faz dessas múltiplas vias um só caminho, coeso. Uma viagem delirante tornada ainda mais intensa com a ajuda de fones de ouvido.

A mistura cosmopolita de Londres, onde há de tudo de toda parte do mundo, num choque cultural de múltiplos efeitos, se reflete no som. A lista de vocalistas convidadas dá conta da quantidade de influências: o art-rock da mexicana-francesa Andrea Balency, o r&b futurista de Roses Gabor, o pop de Mallie, o soul pop de Eliza Doolittle, o folk e o jazz de Eska, e o soul pós-punk de Shingai Shoniwa (do Noisettes).

A badalada cantora FKA Twigs compôs “Breaks”, e a modelo Adwoa Aboah estrela o clipe de “Hot love”. A capa de “Kara” foi feita pelo australiano Leif Podhajsky, que vem empilhando obras-primas com suas artes psicodélicas feitas para discos e singles de Tame Impala, Mount Kimbie, Lykke Li, Bonobo, Shabazz Palaces, Miami Horror e Sun Araw.

Em uma entrevista recente, Acyde disse que o disco era “a trilha para um filme mental. Fique bêbado, fique chapado e assista ao pôr-do-sol enquanto ouve o disco”. Pode seguir a dica sem medo, vai brilhar.

Tchequirau

Mazzy Star pode ser considerada uma artista de um só hit (mesmo que tenha outras boas músicas). Tudo bem, porque o hit que ela tem não é pouca coisa. Ainda assim, em 2013 J Mascis, do Dinosaur Jr, achou de enfiar a mão na clássica (tem 20 anos, já pode chamar de clássica, né) “Fade Into You”. Ficou legal.

quinta-feira

9

outubro 2014

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Placar, Julho/1997

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Encontrei uma versão digital do primeiro texto que publiquei na vida, na revista Placar, quando estava no primeiro período da faculdade e ainda considerava o jornalismo esportivo.

Quase 20 anos depois, com as novas normas da FIFA, o tema jogador de empresário está mais atual do que nunca.

E ainda tem um “indas e vindas” ali que não estava na versão original, enviada por fax, que quase me custou o primeiro e único estágio.

placar1997

sexta-feira

25

abril 2014

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Transcultura #135: Axé Bass // Coisas Que Eu Achava Quando Era Criança

Written by , Posted in Imprensa, Música

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Versão integral e sem edição do texto de março da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e esqueci de republicar aqui:

A hora do axé bass
União de hip hop, dubstep, trap e outros ritmos eletrônicos começa a formar uma cena eletrônica em Salvador e arredores

por Bruno Natal

É o novo som de Salvador, é o novo som de Salvador. Mundialmente conhecido por seu carnaval, axé e também pela forte influência da cultura africana nas tradições locais, a Bahia tem adentrado também outro terreno fortemente relacionado a diáspora negra: a bass music.

Do reggae e dub ao hip hop, onde você escutar um grave pulsando e uma batida conduzindo o transe, pode ter certeza que África está ali. Portanto era de se esperar que o som eletrônico que carrega o grave no nome e que é a base do recente sucesso do dubstep e do trap encontrasse ecos em Salvador.

Formado por Mahal Pita, 26, e Rafa Dias, 24, o A.MA.SSA tem como objetivo conectar Salvador e a Bahia ao restante do mundo e o mundo a Salvador e a Bahia. “A música é uma das ferramentas”, dizem eles. Para eles o bass sempre esteve presente em Salvador, de uma forma ou de outra.

– Esse conceito bass, que de certa forma se aplica a um recorte recente, para nós foi sempre uma experiência bastante familiar. Ouvimos reverberar pela cidade essa sensação de potência, carros com paredões de som tocando pagodão, muitas vezes distorcido pela obsessão pelo grave, festas de largo com as tropas de percussionistas tocando nos surdos, de samba duro à samba reggae e, no topo da cadeia do poder sonoro, o carnaval, a cada ano maiores e mais potentes trios elétricos empurrando a massa – explica Mahal.

Grupos como A.MA.SSA, Som Peba, Bemba Trio, Mauro Telefunksoul, os DJs Hashta, Lucas Brasil, Kongo, Toshiro, Murilo Lobo e festas como Bass Down Low, Quintas Dancehall do Ministereo Público SoundSystem, as produzidas pelo Da A.Ma.ssa e pelo Coletivo Crokant, Sexxxta Bass (em Ilhéus), e Groove and Bass (em Vitória da Conquista). Recentemente parte dos artistas foram reunidos na coletânea “Bass Culture Bahia”, lançada pela governo do Estado, que serviu como catalisador da cena bass baiana e incluiu nomes já conhecidos como Baiana System e Lucas Santtana.

O DJ e produtor Mauro Telefunksoul, 37, parte dos coletivos Pragatecno, Crokant e do Naxapa Controle de Som, acredita que a “mandinga, percussão forte, suínge, calor humano e a musicalidade” do baiano são um fator diferencial no som produzido na boa terra.

– Cheguei a bass music através do Miami bass dos anos 90. Depois passei a tocar hip hop, digital hardcore, jungle, drum n bass, breakbeat, UK garage, grime até a a cultura do grave – conta Mauro, um dos pioneiros da música eletrônica na Bahia.

Para Mahal, uma revolução na concepção musical vem acontecendo em diversos guetos do planeta e em Salvador não é diferente.

– É música de periferia, baseada na tecnologia, ligada ao regional, mas sendo pensada mundialmente. Essas ressignificações não estão presentes apenas no contexto musical, estão em todo o entorno sociocultural. O pagodão atual possui em sua gênese a fusão de elementos da cultura urbana a sua própria referência de raiz: a chula, o samba duro, o lundu, o semba, o candomblé. Isso tornou sua rítmica inédita. Ao absorver influências contemporâneas, tornou-se um buraco negro, consumindo tudo que se põe ao seu alcance.

Pedro Marighella, 34, nome por trás do Som Peba e do OMÃ (esse com Thiago Felix), focado no pagodão e no arrocha, também enxerga um posicionamento político no som.

– Apesar da música de periferia ter a produção mais popular e instigante da Bahia, o estado ainda sofre muito com as diferenças sociais e o racismo. A parte da população que atua nessa produção não é diretamente atendida pelos benefícios que ela gera. Canibalizar essas referências é também uma ação política, um manifesto pela transformação necessária.
As referência estrangeiras pela qual são filtrados os sons locais seriam uma consequência inevitável.

– É muito difícil um jovem de Salvador não ter as influências do mundo nos dias de hoje. Nos anos 80, com a inclusão da região na cena global de world music, começamos a ouvir ainda mais música de diversas origens. No mesmo período a lambada, coupé decalé, zouk, pop africano influenciaram muito a música da Bahia. Influência estrangeira não são apenas músicas e bandas. Quando falamos em música eletrônica, o fato dos softwares não serem feitos no Brasil também conta, porque os bancos de samples, a linguagem empregada, os timbres dos synths deixam as sonoridades mais próximas. Começamos a ser musicalmente educados por tutoriais do Youtube – Pedro.

Ainda assim, não é fácil encontrar espaço para o som dessa bandas.

– Todo e qualquer som mais alternativo é complicado de se trabalhar por aqui. Apesar de Salvador ser a terra da música grave, como reggae e samba reggae, temos poucos lugares apropriados pra se ouvir um bom soundsystem, apenas trios elétricos nas ruas – diz Mauro.

Mahal aponta ainda o preconceito como fator dificultador.

– Ao mesmo tempo que temos um grande acervo, vasta matéria prima musical, carecemos de elementos extremamente básicos, de ordem estruturais e técnicas que acabam dificultando um progresso mais rápido e contundente. No caso específico da A.MA.SSA, que pertencemos ao universo do pagodão, ainda temos o agravante cultural e social, que é o preconceito e a resistência de quase todas as esferas da sociedade – Mahal.

Seu parceiro enxerga ainda outro empecilhos que impediriam até mesmo se falar em um cena local.

– Hoje não vejo uma cena, pois não há diálogo entre os produtores, as festas e o público, tudo é distinto – analisa Rafa.

Pedro rejeita a referência do “bass”.

– Me parece como a ironia pejorativa do “music” de “axé music”. Interessante é que o histórico do eletrônico na música pop baiana remonta ao axé mesmo. É frequente encontrar os nomes do argentino Ramiro Mussoto em créditos de disco dos 80 e 90 citado como “arranjo, samplers, programação MIDI e efeitos” ou simplesmente Carlinhos Brown tocando clap eletrônico na clássica “Fricote” de Luiz Caldas de 1985. Encontro meu “grave simbólico” nos três tipos de surdos dos blocos afro, mas estou numa boa com o “bass” cosmopolita. Amando-o e deixando-o.

Mahal é otimista na expansão do movimento grave que vem acontecendo.

– A Bahia vem assumindo cada vez mais o legado tropicalista de passear pelo mundo sem sair de casa. Já podemos observar o início dessas movimentações em outras cidades fora de Salvador. Mesmo que ainda bem tímido já é um sinal de amplitude.

Tchequirau

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“Eu achava que existia um ‘mundo das drogas’, e toda hora que a minha mãe dizia ‘ele se perdeu no mundo das drogas’, me perguntava por que as pessoas insistiam em continuar indo pra lá”. Esse é um exemplo dos depoimentos que você encontra no “Coisas Que Eu Achava Quando Era Criança”.

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