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segunda-feira

15

Fevereiro 2016

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Dancehall, a verdadeira origem de “Work” e o Tropical House

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Work Dancehall Tropical House URBe

Mesmo não sendo unanimidade entre os críticos, o novo single de Rihanna agradou o público e acabou alcançando o top 10 das paradas americanas. O carro-chefe de seu novo disco, “Anti”, foi classificado pela Rolling Stone como uma “gostosa música de tropical house”. E é aí onde está o erro. Na verdade, “Work” nada mais é do que uma canção de dancehall, estilo musical jamaicano surgido no fim dos anos 70.

O tropical house teve início um início recente, mais precisamente em 2014 quando o DJ australiano Thomas Jack usou o termo para denominar seu estilo, um house com um ritmo mais lento, quase sempre acompanhado de flautas, tambores e outros instrumentos originários do Caribe e África, que dão um clima tropical à sua música. Apesar do próprio Thomas Jack considerar o tropical house batido, o mainstream o adotou o estilo ao longo desses dois anos, gerando por exemplo os sucessos mais recentes de Justin Bieber “Sorry” e “What Do You Mean?”.

Se não levarmos em consideração a diferença cronológica, o “dancehall” e o “tropical house” não estão tão distantes assim. A batida viciante do single mais recente de Bieber, “Sorry”, traz em sua composição o riddim “Dembow”, que teve seu nome tirado da música “Dem Bow”, de Shabba Ranks, um dos maiores artistas de dancehall dos anos 90. Vale lembrar que Skrillex, produtor da canção de Bieber, é conhecido por adotar o estilo em sua música, assim como seu parceiro de Jack Ü, Diplo, faz no grupo Major Lazer.

As raízes do dancehall podem ser encontradas na Jamaica do fim dos anos 60 com a explosão do ska, ritmo dançante que combinava folk jamaicano (também conhecido como mento) com o calypso caribenho mais o jazz e r&b americano. Com o passar do anos, a Jamaica se viu no meio de uma crise econômica que levou o país a pobreza e altos índices de criminalidade. Assim, o ska foi perdendo velocidade e agregando letras politizadas, dando origem ao reggae, popularizado mundialmente por Bob Marley.

Após a morte de Marley, o reggae já estava difundido no mundo inteiro, mas na Jamaica os músicos já estavam fazendo uma música um pouco mais acelerada, e a novidade se dava pelos lançamentos do que ficou conhecido como “B-side Versions”, que eram faixas instrumentais lançadas nos lados-b de compactos da época. DJs jamaicanos começaram a cantar e fazer rap em cima dessas versões, sendo precursores do hip-hop americano e também do… dancehall! Usando novas tecnologias, produtores criaram variadas bases para os DJs da época, que as usavam em diferentes músicas.

Finalmente, chegamos a “Work”! O instrumental do single foi lançado originalmente por Richie Stephens na canção “Take Me Away”, de 1998, porém, a base já foi usada em quase 20 músicas como podemos conferir neste vídeo. O dancehall que foi sucesso nos anos 90 e sumiu parece estar voltando, mas é importante sempre lembrar das origens desse estilo, principalmente quando se trata de uma artista caribenha e tão representativa para a música como a Rihanna.

Talvez esteja na hora de filmar a parte 2 do Dub Echoes, documentário que produzi e dirigi com Chico Dub sobre a influência do dub jamaicano no surgimento da música eletrônica e do hip hop.

Via The Nerd Writer.

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sexta-feira

6

novembro 2015

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“Dub Echoes” para ouvir

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dubechoes_mixtical

O produtor argentino Maiti Roots transformou o “Dub Echoes”, documentário que dirigi sobre a influência do dub no surgimento da música eletrônica e hip hop, numa viagem de áudio. Sampleando as falas do filme sobre uma trilha de dub e reggae, o filme vira um tipo de áudio livro. É a terceira reinterpretação em áudio do filme, muito legal ver esse tipo de trabalho derivado.

Parte 1:

* Mixticall Ganjahcatt * Dub Echoes RMX * 1ra parte * by Maiti Ruts on Mixcloud

Parte 2:

* Mixticall Ganjahcatt * Dub Echoes RMX * 2da parte * by Maiti Ruts on Mixcloud

quarta-feira

24

setembro 2014

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sexta-feira

7

dezembro 2012

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MPC (Digitaldubs) fala sobre a noitada com Aba Shanti I no Rio (SORTEIO DE INGRESSO)

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Aba Shanti I vem aí e MPC, do Digitaldubs, responsável pela noitada, explica porque sábado é um evento imperdível.

URBe – Explique para alguém que não sabe bem o que é um sound system: qual a importância da noite de sábado?

MPC – Sound system é um termo bastante usado hoje em dia, mas poucos tem realmente noção do que é… Se uma pessoa curte reggae e nunca viu/ouviu um sound system, ela apenas “acha” que sabe o que é reggae. Não importa a vertente – roots, dub, dancehall – a música reggae nasceu no sound system e só pode ser inteiramente apreciada num sound system. Não é a mesma coisa ouvir no iPod ou com um som normal de discoteca. E essa noite é imperdivel porque o nosso convidado, Aba Shanti-I, é um dos maiores representantes da cultura sound system atualmente.

URBe – O que Aba Shanti I representa pra cultura dos sound systems?

MPC – Pra resumir: “entendi” que tinha que montar as caixas do digitaldubs quando vi o Aba Shanti-I tocando. O Digitaldubs já estava em atividade há alguns anos, mas quando tive a experiencia de ver Aba controlando seu sound system ao vivo, mudou tudo. Espero que essa noite cause isso nas pessoas aqui.

URBe – Em termos da experiência de se visitar um sound system original, você se considera satisfeito com o que tem conseguido oferecer com os eventos do digitaldubs?

MPC – Estou feliz com o que o Digitaldubs vem oferecendo aqui no Rio em termos de qualidade de som. Claro que sempre queremos mais, só que as coisas vão crescer junto com a cena e com o publico. Nós estamos sempre trazendo atrações de peso pra cá, e modestia a parte, o Digitaldubs está fazendo um som de nivel internacional na cena dub (não à toa estamos sempre viajando pelo mundo).

Mas o diferencial dessa noite é que Aba Shanti-I é um mestre em ação. A forma que ele apresenta as músicas nos leva a um transe que faz o salão de dança virar um templo. Chega a ser uma viagem espiritual movida pelo som!

URBe – Fale um pouco do equipamento que será utilizado.

MPC – É o sistema do Digitaldubs. Se for necessário, vamos usar parte do som do teatro Rival. A vantagem é que o teatro é no subsolo e não tem vizinhança, então vamos poder soltar o grave como poucas vezes podemos.

PROMO: o primeiro a dizer a melhor maneira de se aproveitar os graves nos comentários leva 01 (um) ingresso individual para assistir o Aba Shanti I no Rival.

ATUALIZAÇÃO: Promo encerrada, o vencedor foi Emílio Dossi.

Abaixo, o trecho sobre sound systems do documentário sobre dub que dirigi, “Dub Echoes”:

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