terça-feira

23

setembro 2014

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Trancultura #147: Hollie Cook // Cosmos

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HollieCook
foto: divulgação, via Facebook

Texto na da semana passada da “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo:

Filha do baterista dos Sex Pistols e afilhada de Boy George, Hollie Cook lança disco de reggae
Ela chega ao seu segundo disco, “Twice”, conquistando respeito no universo rasta
por Bruno Natal

O reggae faz parte do DNA do punk rock. Desde que o filho de jamaicanos e DJ Don Letts passou a tocar dub e reggae para o público de punk nos seminais shows no The Roxy, em Londres, os sons das duas ilhas vivem uma ligação íntima. Não por acaso, Bob Marley compôs “Punky reggae party”, em 1977, assim como o The Clash chamou o mago do dub Mikey Dread para produzir parte do LP triplo “Sandinista”, de 1980.

Nas voltas que o mundo dá, é o punk que agora impregna o DNA do reggae. Filha do baterista do Sex Pistols, Paul Cook, e afilhada de Boy George, Hollie Cook chega ao seu segundo disco, “Twice”, conquistando respeito no universo rasta. O vocal suave da cantora, que integrou a encarnação mais recente do The Slits, levou a comparações como “uma versão feminina de Horace Andy” (lenda do reggae).

Em sua estreia com “Hollie Cook”, em 2011, fez um bom disco de reggae clássico, sem invencionices, algo que por si só tem mérito, já que é um som dificílimo de se emular nos dias atuais. Calcado nas texturas do estilo lovers rock e puxado pela música “Milk & honey”, que foi parar na trilha do seriado “Grey’s anatomy”, o sucesso levou ao convite para participar da coletânea de covers do disco “Back to black”, de Amy Winehouse, organizada em 2012 pela revista “Q”, cantando “You know I’m no good”. Sua versão, claro, foi um reggae.

SONORIDADE DOS ANOS 1970

Logo após “Hollie Cook”, o engenheiro de som e produtor inglês Prince Fatty — também conhecido como Mike Pelanconi, com trabalhos com Gregory Isaacs, Dub Syndicate, Adrian Sherwood, A Tribe Called Quest, Pharcyde e Lily Allen no currículo — entortou tudo no sensacional “Prince Fatty presents Hollie Cook in Dub”. A sonoridade remete à matriz original dos anos 1970 e 1980. Prince Fatty se orgulha de ter feito o disco à moda antiga: gravado em equipamentos analógicos e editando as fitas através de cortes com navalhas.

Em “Twice”, Hollie dá continuidade à parceria com Prince Fatty e conta com participações de George Dekker (Pioneers) e Dennis Bovell (colaborador de décadas do poeta dub Linton Kwesi Johnson). O disco de versões dub influenciou diretamente o trabalho original, e o resultado é o que a cantora chama de “tropical pop”.

Desconsiderando-se a redundância de aplicar um termo desse ao reggae, ele explica a presença forte das linhas de baixo, arranjos de cordas e steel drum. Há uma maior influência sessentista nos vocais e até algumas faixas com pegada mais sombria. Mas “99”, “Desdemona” e “Tiger balm” vão por caminhos mais tranquilos e são boas para espreguiçar, na melhor tradição do reggae.

Tchequirau

Dá pra assistir online a refilmagem da série “Cosmos”, originalmente apresentada por Carl Sagan nos anos 80 e agora capitaneada pelo astrofísico Tyson Neil deGrasse.

segunda-feira

22

setembro 2014

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A volta do roots: Chronixx, "Here Comes Trouble"

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Chronixx

O MPC deu a dica e fui conferir o som do Chronixx, expoente da nova onda de roots reggae dominando a Jamaica (e chamando atenção mundo afora, dia desses tocou no Jimmy Fallon).

“Roots reggae dominando a Jamaica” pode soar com um pleonasmo, mas está bem longe disso. Há anos a molecada de Kingston só ouve dancehall e descarta todos os clássicos dos anos 70 como “música de velho”.

Se no resto do planeta do reggae de letras conscientes e menos obcecado com as pistas de dança nunca esfriou, atráves das próprias composições e colaborações com Sizzla, Protoje e Kabaya Pyrmamid, Chronixx está conseguindo o que para muitos era impossível: fazer o conscious reverberar entre as novas gerações.

O clima pesado de parte da cena de dancehall começou a se esgotar. A recente condenação a prisão perpétua de um dos principais nomes, Vybz Kartel, sinaliza que pode até der demorado, mas o roots ressurge em boa hora na Ilha.

A Noisey tem feito algumas séries de vídeos sobre a música na Jamaica. Assista abaixo um episódio falando justamente desses novos nomes (os dois links acima também são de docs produzidos por eles).

segunda-feira

22

setembro 2014

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segunda-feira

22

setembro 2014

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Trancultura #146: Kinkid // Morning Becomes Eclectic

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Kinkid
foto: divulgação, via Facebook

Texto da semana retrasada da “Transcultura” (coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo) e que faltou republicar aqui:

Texturas e sons camuflados formam o Kinkid
Disco ‘Colorine’ segue viagem eletrônica em que as batidas se camuflam na paisagem
por Bruno Natal

Quem ouve os sons ambientes e a cama de sintetizadores que servem de base para um monólogo em francês de “Ameir”, que abre “Colorine”, primeiro disco de Kinkid, dificilmente imagina que o produtor José Hesse, de 31 anos, estudou três anos de violão clássico e teve bandas de hardcore. Segundo lançamento do selo carioca Domina, fundado por ele em parceria com Pedro Manara e Marcelo Mudou, o disco segue sua viagem eletrônica em que as batidas se camuflam na paisagem, escondidas por texturas, e ainda assim seguem empurrando as produções adiante.

— O projeto é um pouco egoísta, faço pra mim mesmo. Equilibro a suavidade e o peso no meu som. Há quem diga ser “pra baixo”, tem outros que dançam e se identificam com as letras. Não tenho muita pretensão com o projeto, queria dialogar com quem passou por coisas como as que passei — conta José.

Sua relação com a música veio pela da avó, cantora amadora de bolero na década de 1960. A música eletrônica veio mais tarde, no final dos anos 1990, através de amigos DJs e do fascínio pelos vinis.

Inspirado no trip-hop, no som ambient e em nomes como Thom Yorke, Vincent Gallo e Boards of Canada, Hesse fez questão de gravar alguns elementos de percussão e vocais ao vivo. As apresentações do Kinkid — que já aconteceram no Art Rua 2013 e na galeria Pivô, em São Paulo — são feitas apenas com sintetizadores e baterias eletrônicas, sem computadores.

Mesmo acreditando que “o colorido do Rio gere uma sinestesia nos projetos de outras pessoas” e identifique muitos talentos por aqui, Hesse não faz uma análise muito positiva da situação cultural da cidade.

— Não sei o que acontece, acho que há um desinteresse da grande maioria pela arte ou então talvez só se interessem por modismos. Meço isso pela procura ou a mera curiosidade de pessoas de outros estados com Kinkid — diz ele.

Tchequirau

Transmitido a partir de Santa Monica, Califórnia, fundado em 1977 e desde 2008 sob o comando de Jason Bentley, o programa de rádio Morning Becomes Eclectic traz três horas de novidades musicais, apresentações ao vivo e entrevista com alguns dos mais legais artistas independentes. Dá pra ouvir online aqui do Brasil na página do programa.

sexta-feira

19

setembro 2014

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