sexta-feira

27

novembro 2015

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Invasão Novas Frequências: entrevista com Chico Dub

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Semana que vem, dia 1º de dezembro, começa a quinta edição do Novas Frequências, festival de música avançada realizado anualmente no Rio. Em parceria com o idealizador e curador do festival, Chico Dub, vai rolar uma sequência de posts nos próximos dias, com entrevistas com algumas das atrações, feitas pelo próprio Chico e Romulo Moraes. É a Invasão Novas Frequências no URBe.

Para abrir os trabalhos, Chico, grande influência, meu parceiro de “Dub Echoes” e tantas outras aventuras musicais, falar do que aprendeu nesses anos a frente do festival.

URBe – Qual é a maior dificuldade em se investir esforço pela música experimental no Brasil?

Chico Dub – É tudo um grande ciclo, sabe? O jornalista não quer escrever sobre algo que ele acha que o público não quer ler. O poder público e a iniciativa privada pensam primeiramente em números. “Quantas pessoas iremos atingir”, eles perguntam. Então, a grosso modo os investimentos, são feitos para aquilo que é mais popular; para aquilo que vai alcançar mais público. Quantidade > Qualidade. Quantidade > Inovação. Eu defendo a ideia de que todo o guarda chuva da arte experimental deveria ter algum tipo de cota nos editais de patrocínio. Sem poder ouvir nada diferente (o que são as rádios brasileiras?!), sem poder ler nada a respeito, como vamos conseguir fazer o experimental e o inovador sair do nicho?

URBe E qual é a maior recompensa, qual o objetivo a ser alcançado a longo prazo?

Chico Dub – O objetivo é criar uma alternativa viável para músicos, produtores, promotores, jornalistas… Fazer com que se crie um circuito nacional, uma rede que trabalhe com os mesmos objetivos. Mesmo que pequeno, precisamos ter mais revistas, mais programas de rádio, mais patrocínio nos editais, mais festivais, mais selos, mais apoio para viagens internacionais, mais espaço e mais infra-estrutura de uma maneira geral.

URBe Em que direção, artisticamente falando, o festival tende a se flexionar nas próximas edições?

Chico Dub – A ideia é adotarmos sempre um tema central daqui para a frente, um conceito chave que irá nortear toda a programação e a curadoria. Não sei se consigo dizer mais alguma coisa, mas em ano de Olimpíadas, talvez seja interessante fazer um movimento contrário e olhar mais para dentro, para as nossas raízes.

URBe Que artistas você sempre quis trazer, mas nunca conseguiu? Tem algum sonho de consumo?

Chico Dub – Earth, Moritz Von Oswald Trio, The Caretaker, Arca, Holly Herndon…

URBe Quais são seus cinco destaques da música avançada em 2015, aqueles que você acompanhará com atenção nos próximos anos?

Chico Dub – Rabit, M.E.S.H., Marginal Men, J.G. Biberkopf, Hiele.

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