quinta-feira

3

dezembro 2015

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Invasão Novas Frequências: entrevista com Marginal Men

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Sexto post da série Invasão Novas Frequências, organizados pelo idealizador do festival Novas Frequências, Chico Dub.

A Wobble é a melhor festa do Rio e o Marginal Men equivale a 2/4 dela. Conseguiram melhor do que ninguém integrar o funk carioca e paulista dentro do guarda chuva da tal bass music (dubstep, juke, trap, grime, 2-step…). Além de ótimos DJs, começaram a produzir tracks recentemente e foi aí que me fisgaram de vez. As duas que encomendei para a Hy Brazil (Vol 7) e para a The Wire (Especial Novas Frequências) são das melhores coisas que ouvi recentemente. Vai ser um luxo só vê-los logo depois do The Bug! Ainda mais com as participações especiais do DJ Sydney e do Pininga.

Chico Dub – O trabalho de vocês, e de outros nomes como Leo Justi e OMULU, é mesmo uma tentativa de desestigmatizar o funk ou é mais sobre fazer as pessoas dançarem e curtirem?

Marginal Men – É fazer as pessoas dançarem. A gente cresceu ouvindo, então nossa trajetória pessoal é muito ligada ao Funk. O Pedro começou a gostar de música eletrónica ouvindo o DJ Malboro na extinta Manchete FM e ia vê-lo tocar nas matinês. O Gustavo, antes de entrar na Wobble, era DJ do Truculência Crew, um grupo de Funk carioca com mais 5 cabeças – dentre eles o Fabio Heinz, que era o mascote e hoje é residente da Wobble e uma das cabeças da RWND Records.

Chico Dub – Vocês ficaram muito famosos depois de uma série de remixes de funkeiros emergentes, como o MC Brinquedo e MC Bin Laden. Porque essa arte do remix é tão atacada e menosprezada nos meios mais tradicionais de música?

Marginal Men – Os remixes para MC Bin Laden com Pesadão Tropical e MC Brinquedo com Ruxell, foram feitos para KL Produtora de São Paulo, casa dos dois MCs. Os “ataques” recentes são contra os bootlegs, remixes não oficiais e de grandes gravadoras. O DJ Sliink de Nova Jérsei pediu que mandássemos para ele a versão completa de “ Scylla no Antares” assim que subimos a prévia no Soundcloud.

Chico Dub – Vocês ainda tem pouco material autoral lançado. O que é possível esperar de um possível primeiro disco?

Marginal Men – Nós começamos a focar mais na produção de som autoral esse ano. Depois das parcerias com Branko, Omulu e várias demos com o Sants. Pro ano que vem, pretendemos fazer um EP só de autoral. Recebemos um convite de um selo de fora mas ainda não podemos contar.

Chico Dub – Como foi trazer nomes de peso da música internacional, como o (recentemente falecido) DJ Rashad, para o Brasil, através da festa de vocês, a Wobble?

Marginal Men – Foi foda. E continua sendo. Com tantos artistas que já passaram pela Wobble durante esses 4 anos, acreditamos estar próximos do que desejamos há tanto tempo: uma cena local posicionada globalmente. Em 2014, 73 artistas, entre nacionais e gringos, tocaram na festa.

As visitas de gente como Addison Groove, Machinedrum e DJ Rashad da Teklife, ano passado, ajudaram a formar uma audiência pro Footwork, gênero que já estava presente nos sets dos residentes. Com isso, em 2015, recebemos mais 2 da Teklife: DJ Spinn, que veio na turnê de lançamento de seu EP no Hyperdub, e o jovem Taso que, em entrevista na Radio Magma, comparou a pista da Wobble na Fosfobox com as da sala 1 do Fabric em Londres e do Berghain em Berlim.

O Plastician, dono do selo Terrorhythm, veio tocar no clube e a na rua durante a Copa do Mundo e voltou pra Londres elogiando a pesquisa dos DJs do Rio no programa The Grime Show; até tocou nosso set na Rinse FM!

Outros gringos fizeram mais que tocar e deram workshops para a nova geração de produtores da cidade. Como Mr. Carmack em novembro de 2014 na Casa Nuvem e Swindle em outubro desse ano na Audio Rebel.

Chico Dub – O que vocês pretendem para essa festa do Novas Frequências? Podem explicar como será a parceria com o Sydney? O Pininga acabou entrando de última hora na festa também, certo?

Marginal Men – Queremos apresentar nossas produções, remixes e mashups no NF, além de testar umas inéditas. O Sydney é do Ceara, mas mora no Rio. Conhecemos o trabalho dele em 2013, através das montagens que ele fez junto com o DJ Mibi. Ele estava usando uns kits de bateria bem diferentes do outros produtores do Rio. E a gente já se esbarrou algumas vezes tocando nas mesmas pistas. Curtimos o live dele, que celebra a era de ouro das montagens, então convidamos ele para apresentar esse trampo no NF.

O Pininga, que veio do Recife, mas mora São Paulo, só foi confirmado tardiamente por causa da agenda dele. Ele é residente da festa Muscles Cavern, tem programa na Radar Radio, da Inglaterra, já tocou tantas vezes na Wobble e, esse ano, lançou sua primeira produção na coletanêa do Hy Brazil. O live dele é um “Baile de corredor hardcore”.

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