terça-feira

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dezembro 2015

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Invasão Novas Frequências: entrevista com Juçara Marçal & Cadu Tenório

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Quarto post da série Invasão Novas Frequências, organizados pelo idealizador do festival Novas Frequências, Chico Dub.

Juçara Marçal é a compositora e criadora de Encarnado, provavelmente o melhor álbum brasileiro de 2013. Cadu Tenório é um prolífico compositor da cena carioca de noise/improv, lançando uma média de aproximadamente três álbuns por ano desde 2012. Que dupla! Já vem rolando nos últimos, talvez, dois anos, uma aproximação da canção com estéticas e procedimentos comuns dentro do guarda chuva da música experimental. “Anganga”, um trabalho que atualiza os cantos dos Anganga é baseada nos congados e vissungos – cantos ancestrais dos negros benguelas (Angola) de São João da Chapada, Diamantina, Minas Gerais.

Chico Dub – De onde surgiu a ideia de fazer essa parceria?

Juçara – A parceria surgiu de um convite do Márcio Bulk, que havia acabado de fazer o disco Banquete com o Cadu e teve a idéia de nos juntar. topamos a parada. Eu sugeri de usarmos algumas das cantigas do “canto dos escravos”. o Cadu adorou a ideia e fomos adiante. devagarinho, até firmar o repertório. coisa que só aconteceu em meados deste ano.

Cadu–  O inicio do processo foi bastante lento, até acharmos o tom exato que seria dado ao disco. Conseguimos quando finalizei o arranjo para Canto II, que foi o primeiro que pegamos pra fazer, demorei uns 6 meses do ano passado só nele. Depois disso achamos o ponto de forma tão coesa, na nossa cabeça, que mesmo as músicas inéditas presentes no disco(Eká e Taio), de minha autoria com participação da Ju, absorveram todo o clima e a energia dos Cantos.

Chico Dub – O que do “Anganga” é mais Juçara e o que é mais Cadu? Ou os dois perfis se tornam inseparáveis?

Juçara – Se formos pelo óbvio, as sugestões de canções são minhas, as construções de arranjo são do cadu. mas ouvindo Anganga, o que virou, não dá pra dizer o que é meu, o que é do cadu. Anganga é uma outra coisa, maior que nós.

Cadu – Assino embaixo, a química que bateu entre a gente é tão forte, e acredito que isso fique nítido no palco, que estamos numa relação de simbiose. Durante o processo de composição dos discos, das peças que abrigam os cantos, foi impossível não ser influenciado pela interpretação forte da Ju, assim como quando mandava pra ela os instrumentais já construídos, ela logo sentia a vontade de acrescentar mais ali e regravar os takes de uma nova maneira. E é dança é mais ou menos essa, um influenciando no próximo passo do outro.

Chico Dub – Qual a história por trás da língua das letras que dão corpo à voz de Juçara?

Juçara – Os vissungos, assim como os congados do disco são cantados em dialeto bantu. os vissungos são cantos de trabalho, os congados, cantos de devoção.

Chico Dub – Como exatamente os ruídos de Cadu trazem mais dessa mística afro-brasileira para as canções?

Juçara – Como exatamente? Impossível responder. Só sei que traz.

Chico Dub – A música tem mais ou tem menos função social num mundo hiper-estimulante e hiper-interativo?

Juçara – A música, qualquer forma de arte, é imprescindível pra qualquer agrupamento humano hiper, super, mega qualquer coisa. se há música, ela tem sua função.

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