sexta-feira

4

dezembro 2015

COMMENTS

Invasão Novas Frequências: entrevista com Bemônio

Written by , Posted in Música

bemonio_novasfrequencias2016

Oitavo post da série Invasão Novas Frequências, organizados pelo idealizador do festival Novas Frequências, Chico Dub.

Vi o primeiro show do Bemônio  em 2012 e a cada vez que vejo a experiência é totalmente diferente. Tem vezes que gosto mais, tem vezes que gosto menos, mas é absolutamente impressionante como eles podem soar diferente dependendo do lugar onde tocam e da vibe que circula naquele dia específico.

A gente sempre faz shows inéditos de artistas nacionais no festival. No caso de artistas cariocas, pedimos shows especiais, que nunca aconteceram, muitas vezes conversando e propondo coisas. Daí o Bemônio resolveu tocar por cima de um filme polonês de 1961 vencedor do Júri em Cannes. O tema do filme? Exorcismo, claro.

Chico Dub – Qual foi a sua ideia inicial ao criar o Bemônio, como foi a concepção da proposta? Você já tinha feito música antes do projeto, mas como se deu o click do tipo, “cara, é isso que quero fazer, me dedicar, criar uma carreira musical?”

Paulo – Sempre quis fazer música ou participar de alguma forma do meio. Nunca tive uma banda propriamente dita, havia sim um projeto experimental de música eletrônica que simulava um kiks graves dando a impressão de uma sonoridade meio tribal, que no caso se chamava Creep Diets, isso lá pra 98… Meu gosto musical não batia com a dos meus amigos de punk e hardcore da época, por isso nunca tive banda… E não sabia, e nem sei, tocar algum instrumento.

Mas sobre o tal projeto, nunca tinha pensado em levar a sério, era apenas uma forma inicial de se expor. Mas não durou muito pois não havia equipamento para realizar shows e dependia de um PC Pentium para fazer…Os equipamentos na época era absurdamente caros para o que eu queria fazer (MPC, Synth)…

Em 2008, em Teresópolis na casa dos meus pais, eu revi (pela vigésima vez) o filme A Profecia. Durante a abertura eu tive um estalo, algo que me veio a recordar uma sensação que tinha no passado, e de certa forma até hoje, do medo e da impressão de certo modo obscura da Igreja e seu entorno. Digo isso focando principalmente na acústica, reverberação que há no canto gregoriano em conjunto ao ambiente decorado com as imagens e vitrais religiosos. Sempre achei isso muito denso, assustador um pouco, porém extremamente denso. Isso foi a minha relação ao filme, ou seja, de que um filme de terror pudesse ter como trilha inicial algo extremamente religioso e soturno ao invés das trilhas normalmente utilizadas pra esse gênero de filme.

Em 2009, comecei a adquirir tais equipamentos, mas o processo até surgir o bemônio demorou 2 anos, isso porque precisava achar uma sonoridade, algo que me agradasse. Muitas vezes o equipamento por si só não era suficiente, necessitava incorporar uma sequência de pedais pertinente ao que que queria.

Em Janeiro de 2012, consegui atingir um ponto de partida para esse projeto e seu nome: bemônio (sim com B para gerar um ruído de comunicação) o mesmo ruído que há num canto gregoriano sendo interpretado como algo assustador.

Sendo assim, a idéia é de gerar esse desconforto, algo que traga o religioso mas de forma incômoda, que seja uma experiência sensorial na qual o ouvinte entre numa espécie de transe, imersão.

Minha meta sim, é poder viver de música, mas isso apenas um dia após o outro e dedicação pra se tornar realidade…

Continuo sem saber tocar instrumento, sou apenas um pseudo-músico, no quesito prática músical, no que toco…

Chico Dub – Pra quem foi feita a música do Bemônio?

Paulo – Não tem como rotular um público, pois não considero bemônio uma banda, mas sim um projeto musical de imersão. Cada ouvinte terá sua interpretação e experiência vivida ao ouvir. Não tocamos músicas do álbum. Não temos uma forma tradicional de banda. Apenas buscamos o que o público “entre” em tal imersão.

Chico Dub – Como o som do projeto foi mudando e se adaptando a partir da – cada vez maior – participação do Gustavo Matos e do Eduardo Manso?

Paulo – Eu não pensava em ter ninguém além de mim. Não queria que o bemônio se tornasse uma banda tradicional, e ainda por ser algo pessoal seria muito difícil conseguir orientar ou fazer o outro entender o som e o que queria expor.

Tanto o Manso quanto o Matos não foram chamados pra entrar na banda. Mas eles pediram pra ingressar exatamente pelo interesse e compreensão do projeto. Sendo assim, muita coisa mudou e evoluiu muito graças a eles 2 e ao talento deles.

Chico Dub – Como vc tem percebido o público do bemônio e da cena de música experiemental como um todo? Aumentou? Se manteve?

Paulo – Acho que aumentou, ainda estamos num começo e ainda temos muito chão pela frente… Mas, sim, o público vem aumentando e criando maiores interesses pelo tipo de som e experiência de shows.

Chico Dub – Qual vai ser o clima do show no Novas Frequências? Porque a escolha do filme “Madre Teresa dos Anjos”?

Paulo – Vai ser o objetivo do bemônio, fazer o público, ou a quem escuta, entrar profundamente em um transe, em uma imersão de sensorial: tristeza, dor, arrependimento, paz, compaixão, ódio, agonia, fé e devoção… Por isso do filme escolhido.

Anúncios

Anúncios