Resenhas Archive

quinta-feira

11

maio 2017

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Cobertura: Coachella 2017, as bandas cresceram

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Esse ano a cobertura do Coachella (a sétima!) foi um pouco diferente dos outro anos. Em vez de relatar em tempo real no Instagram e Twitter do URBe, escrever uma crítica para algum veículo impresso, seguido por um longo relato aqui no blog, fui convidado pela Farm para cobrir ao vivo para o blog da marca carioca, o adoro! Farm, através do Stories da marca.

Também escrevi alguns posts antes do festival, outro com dicas para quem quer conhecer o evento e fiz cinco playlists com o melhor da escalação para Rádio Farm no Spotify (Creme, Hip Hop, Pop, Eletrônica e Festa).

Abaixo reproduzo o post pós-Coachella que escrevi pra eles.

Como complemento, de 2006 pra cá, a grande diferença esse ano foi a grande quantidade de shows assistidos nos palcos abertos e pouquíssimos nas tendas. Isso tanto tem a ver com uma mudança na pegada da curadoria do festival (as apostas normalmente feitas nas tendas mais longe do meu gosto pessoal), quanto pelo fato de uma geração inteira de bandas surgidas na segunda metade dos anos 2000 terem se consolidado, crescido e estarem agora nos espaços maiores. E tendo sido também a primeira vez no segundo final de semana, talvez pelo clima extremamente seco, o gramado estava bem castigado.

A imensidão musical do deserto – adoro! | FARM

O anúncio da escalação do Coachella é uma das mais aguardadas do calendário mundial de festivais. Ainda que seja impossível agradar todas as expectativas, sempre altíssima, todos os anos a lista de artistas está caprichadíssima, dando oportunidade de conferir o que algumas das mais promissoras novidades, e também nomes já estabelecidos, andam fazendo.

Não é sempre que se pode assistir num espaço de duas horas o Preservation Hall Jazz Band (grata surpresa!), o r&b modernista do Sampha, o rock psicodélico do King Gizzard & theLizard Wizard, a eletrônica ao vivo do Bonobo e seguir noite adentro conferindo Glass Animals, Jaguar Ma, Father John Misty, The xx e Radiohead – e tudo isso só no primeiro dia!

Com uma oferta tão grande do que assistir, é fácil bater o desespero de não poder conferir tudo. Normal. O que pode ser ainda pior é de fato tentar ver tudo. Ainda que em alguns casos valha a pena pular de um show pro outro, ver um pedacinho de um show aqui, outro ali, é muito mais importante conseguir abstrair do que está perdendo e focar noque está vendo. As vezes um show inesperado está tão bom que vale mais a pena conferir inteiro do que tentar correr pra ver o finalzinho daquela banda imperdível. Numa escalação dessas, conseguir decidir o que não ver é a verdadeira tarefa.

E assim, no segundo dia, após o o transe eletrônico do Floating Points, os shows do Car Seat Headrest e Chicano Batman foram substituídos por uma visita à instalação “Chrysalis” com projeção de 360 graus e uma volta na roda gigante, respectivamente. A obra de arte mais comentada esse ano foi “The Lamp Beside The Golden Door“, do brasileiro Gustavo Prado, uma torre de espelhos côncavos e convexos que gerava um efeito espetacular.

Sem problemas, porque logo na sequência o Thundercat veio sacudindo tudo com seu free jazz pop (pode isso?) enlouquecedor. Conhecido pelos muito remixes que tocam em quase todas as festas, o Mura Masa fez um ótimo show, bem dançante, logo antes do Bon Iver ninar a plateia no palco principal.

Nas tendas ao lado, os fãs de música eletrônica se dividiam entre idolatrar Nicolas Jaar e pular com o DJ Snake. No palco principal, Lady Gaga reuniu boa parte do público do festival pra um show que pareceu um tanto preocupado demais em agradar.

No último dia, com as energia já mais baixas e com a moleira frita do sol de 40 graus do deserto, as coisas fluíram mais devagar. O soul do Lee Fields (a caminho do Brasil) e o indie folk do Whitney sofreram com isso, já que havia pouca gente pra vê-los na hora em que tocaram.

No entardecer, Devendra Banhart (também com turnê marcada pelo Brasil) contou com o hermano Rodrigo Amarante no baixo, NAO conseguiu um dos coros maisaltos do festival com sua “Firefly” e Jack Garrat fez uma festa sozinho, tocando bateria, sintetizador, guitarra e cantando – as vezes tudo ao mesmo tempo – numa tenda.

Apontando pro final, Lorde serviu de abertura para a grande atração da noite, Kendrick Lamar. Com disco novo lançado dias antes, Kendrick mostrou porque é tido como o principal nome do rap atual, mostrando controle total do público através de suas letras poderosas.

Já era tarde da noite quando a fila de saída do estacionamento tomava mais de uma hora. Ninguém se importava. Todos riam de orelha a orelha, felizes com um dos mais divertidos finais de semana do ano. Como é todo ano.

Co-fundador e diretor criativo do Queremos! e WeDemand, Bruno Natalé documentarista e jornalista, com mestrado em Goldsmiths,University of London. Dirigiu e produziu filmes como “Dub Echoes”,sobre a influência do dub jamaicano no surgimento do hip hop eda música eletrônica, além de ter registrado alguns dos maiores artistas brasileiros, de Chico Buarque a JotaQuest. É consultor do canal Multishow e colabora no desenvolvimento de projetos, como o Prêmio da Música Brasileira. Escreveu por 5 anos uma coluna semanal sobre música e cultura digital no jornal O Globo e edita o blog URBe há 14anos.

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segunda-feira

25

janeiro 2016

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Weezer lança single “King of the World” e anuncia disco novo para Abril

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Weezer The White Album URBe

Vem disco novo do Weezer por aí. O Daniel Ferro fez uma análise interessante, baseado nas duas faixas lançada até agora:

“Ouvindo os sons desse álbum que sai em abril e, especialmente, prestando atenção nas letras da pra entender que o Weezer ta buscando a sonoridade dos anos 90 (a única que presta pra mim) que os revelaram. O Weezer foi um típico caso de banda que se deslumbra com o hype. Quando eram nerds tímidos, lançaram 2 discos antológicos. Quando bateu o hype californiano, dinheiro, mulheres, fama, começou a pintar a vibe “somos fodas” e músicas horríveis como “Beverly Hills” bombaram. Agregaram um público nada a ver pra banda e eles amaram aquilo tudo.

“O Rivers Cuomo, aquele nerd que gostava de tocar Kiss sozinho na garagem e sonhava com a garota dos seus sonhos sem nunca trocar uma ideia com ela, agora ficava na dúvida se fazia suruba com japonesas ou se comprava uma mansão em Los Angeles. Depois que eles entenderam que o mercado mudou pra eles (inclusive com uma entrevista na Rolling Stone em que eles assumem que a gravadora deles meio que os jogou pra escanteio), parece que o caminho natural foi colocar os pés no chão, voltar a ser o nerd tímido que eles sempre foram.

“Tomara.

“Pelo menos explica a capa pra mim: do lado direito, a vibe hedonista que a banda chafurdou nos anos 2000, do lado esquerdo o coroa garimpando coisas enterradas e esquecidas no passado. Acho que vou gostar desse disco.”

Ouça “King of The World” e “Do You Wanna Get High”:

quinta-feira

7

janeiro 2016

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Os bons shows de 2015

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urbe_bonsshows2015

2015, o ano em que menos resenhei shows na vida. Foi quase tudo na base da legenda das fotos no Instagram. Faltam palavras, ficam as memórias evocadas pelas imagens.

Aqui estão as listas de Bons Discos Nacionais de 2015 e Bons Discos Internacionais de 2015.

O show de 2015Caetano e Gil (Circo Voador)

Caetano & Gil

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The Chemical Brothers (Vivo Rio)

Q Q FOI ISSÚ?! 🤖🤖 #thechemicalbrothers #queremos5anos

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Matthew E. White (SXSW, Austin)

Matthew E. White. Showzão! Melhor que os discos, que já são bons demais. #sxsw #sxsw15

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The War On Drugs (Coachella)

Hepcat (SESC Pompeia, SP)

Hepcat! 🎺🎷🎸🔳

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The King Midas Sound (SESC Ginástico)

King Midas Sound no @novasfrequencias, boa @Chicodub! Pow! Pow! Pow! 🇬🇧🇯🇲

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Todd Terje (Coachella)

Jamie xx (Coachella)

Saint Motel (Coachella)

Glass Animals (Coachella)

Panda Bear (Coachella)

Mac DeMarco (Coachella)

Father John Misty (Coachella)

BadBadNotGood (SXSW, Austin)

BadBadNotGood (pela 9a vez, sempre demais) #sxsw #sxsw15

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Gramatik (Coachella)

Lykke Li (Coachella)

Curumin (Casarão Ameno Resedá)

Lil’ Wayne (SXSW, Austin)

Lil Wayne #SxSW #sxsw15 #tunechi

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Natalie Prass (SXSW, Austin)

Natalie Prass (sexta publico um bate-papo com a moça na Transcultura) #sxsw #sxsw15

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TV on the Radio (SXSW, Austin)

TV on the Radio #sxsw #tvotr #sxsw15

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Letuce (Circo Voador)

Lançamento do disco novo do Letuce.

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Leon Bridges (Troubadour, West Hollywood)

Leon Bridges, coisa fina

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Foo Fighters (Maracanã)

Foo Fighters #AdolescenciaFeelings

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Pearl Jam 

PJ (Eddie would go)

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Spoon (Sacadura 154)

Que show do Spoon ontem! #queremos #queremos5anos

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sexta-feira

18

setembro 2015

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Aldo The Band, “Giant Flea” (2015)

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giant-flea-aldo-the-band

Não cheguei a ouvir o primeiro disco do Aldo The Band (dos irmãos Faria, do Faria & Mori, comentado por aqui em 2011)  – o nome é tão esquisito (ruim mesmo) que não despertou curiosidade. Achava quer era uma coisa meio “rock brasileiro” e ouvindo o segundo disco, “Giant Flea”, é bem mais eletrônico do que esperava. Embora seja bastante referencial, soando como LCD Soundsystem e todas as referências que eles mesmos utilizaram, pós-punk e etc, é muito bem feito e soa como algo bom pra pista. Curioso para ver ao vivo.

segunda-feira

2

fevereiro 2015

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Transcultura #157: Viet Cong // Super Bowl

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Transcultura_OGlobo_VietCong_2014

Texto da semana passada para “Transcultura”, coluna que publico todas as sextas no jornal O Globo.

Banda canadense Viet Cong arranca elogios da crítica com disco de estreia
Álbum é uma boa trilha para curtir um sábado de sol com um belo casaco de moletom preto na praia
por Bruno Natal

Mesmo morando a muitos quilômetros do delta do Mekong, um grupo de canadenses formou uma banda e resolveu batizá-la com o nome dos guerrilheiros vietnamitas: Viet Cong. Contando com o baixista Matt Flegel, o baterista Wike Wallace (ex-integrantes do grupo de art noise Women) e os guitarristas Scott Munro e Daniel Christiansen, a batalha dos residentes de Calgary é no pós-punk. A essa base, somam-se influências mais distantes, como industrial, drone, krautrock, metal e sons góticos.

A primeira prova da banda veio com a demo “Cassettes”, lançada em 2014. As densas camadas de sintetizadores e guitarras dissonantes trouxeram comparações com Guided by Voices, Wolf Parade, Interpol, Deerhunter, Echo & The Bunnymen e, obviamente, Joy Division.

Amargura e melancolia

Não demorou muito e saiu o sorumbático disco de estreia do Viet Cong, homônimo, arrancando notas altas em publicações como “Spin” e “Pitchfork”. O disco vem três anos após a morte de Christopher Reimer, guitarrista do Women, com apenas 26 anos, o que decretou o fim da banda. Antes disso, em 2010, o grupo já havia entrado num hiato após uma briga no palco.

As faixas são carregadas dessa amargura e melancolia, não apenas na sonoridade, mas também nas letras, com passagens como “Não quero encarar o mundo/ É sufocante, sufocante” (em “Death”); “Eu sei que você olha as coisas para esquecer/ Conheço o mundo como um arrependimento” (em “Silhouettes”); ou “Cheque sua ansiedade/ Não é preciso sofrer em silêncio” (em “Continental”).

“Viet Cong”, o disco, fecha com um transe de 11 minutos chamado “Death”, que começa de maneira suave antes de explodir em viradas de bateria e guitarras distorcidas. Uma boa trilha pra curtir aquele sabadão de sol com um belo casaco de moletom preto na praia.

Tchequirau

Domingo é dia de Super Bowl, evento máximo para os amantes da bola oval. O show do intervalo é um dos espaços mais desejados por artistas pop, por se tratar do evento musical mais assistido do ano. E a escolha desse ano – como todos os anos – gerou polêmica e reclamações: Katy Perry.

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